A andar pelas ruas de Maputo

Maputo é uma cidade tão fascinante que vamos mostrá-la aqui aos poucos.

Situada no extremo sul do país, Maputo é a capital de Moçambique e sua maior cidade, com quase 1,1 milhão de habitantes. Antes da Independência, em 1975, a capital colonial era chamada de Lourenço Marques, explorador português do século 16. A cidade está situada a 120 quilómetros da fronteira com a África do Sul, através da bela praia da Ponta do Outro, e a 80 quilómetros da fronteira com o Essuatini, antiga Suazilândia. A área metropolitana de Maputo inclui o município da Matola e os distritos de Boane e Marracuene, e juntas somam uma população de quase 3,2 milhões de habitantes. Maputo é uma das onze províncias de Moçambique.

 

Uma das características mais marcantes de Maputo são suas ruas e avenidas. Nosso Mundos de Mulheres acontecerá em setembro, portanto, na primavera, o que significa que a temperatura permitirá grandes longas caminhadas por suas vias públicas.  Assim como aconteceu com a capital, o novo governo liderado por Samora Machel mudou também os nomes das ruas e avenidas para homenagear os grandes líderes revolucionários comunistas, especialmente os africanos.

A instituição de ensino que anfitrionará nosso MM2021 chama-se Universidade Eduardo Mondlane (UEM), que antes da independência chamava-se Universidade de Lourenço Marques. Eduardo Mondlane foi um dos fundadores e primeiro presidente do principal movimento pela independência de Moçambique, a Frelimo. Considerado o arquiteto da unidade nacional, ao juntar principais movimentos de luta anti-colonial, nos anos 60, Mondlane foi assassinado em 1969.

Eduardo Mondlane dá nome também a uma larga avenida, com 3,5 quilômetros de extensão, que corta a cidade e tem início na Avenida Julius Nyerere, onde fica o campus principal da  UEM. Nyerere foi presidente da Tanzânia e um grande apoiador e incentivador da luta pela liberdade dos moçambicanos, tendo sido amigo de Mondlane.

É na avenida Julius Nyerere que começa a Avenida Mao Tsé Tung, líder do Partido Comunista da China que proclamou a República Popular da China, e termina na Avenida Vladimir Lenine, revolucionário russo e um dos fundadores da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), da qual se tornou o primeiro chefe de Estado.

Ao caminhar pela Avenida Mao Tsé-Tung, encontra-se a Avenida Salvador Allende, o presidente chileno, fundador do Partido Socialista, que governou o Chile de 1970 a 1973, quando foi deposto por um golpe de estado liderado pelo general Augusto Pinochet e assassinado.

Paralelamente à Avenida Salvador Allende fica a Avenida Amílcar Cabral, ideólogo da independência de Guiné-Bissau e de Cabo Verde e um dos principais teóricos da luta armada para a libertação africana. As duas avenidas cruzam a Avenida Agostinho Neto, um dos fundadores e presidente do Movimento Popular para Libertação de Angola (MPLA) e primeiro presidente da República de Angola, de 1975 a 1979.

Maputo celebra ainda em suas ruas e avenidas os feitos de Kwame Nkrumah, conhecido pela sua visão de uma África livre e unida, sendo um dos fundadores da Organização da Unidade Africana (atual União Africana) e por ter conseguido a independência do Gana do domínio colonial britânico, em 1957, tornando-se o primeiro a ocupar o cargo de primeiro-ministro e Presidente.

Patrice Lumumba também dá nome à uma via que termina na Avenida Samora Machel, na Baixa. O congolês Lumumba foi um dos mais árduos defensores da unidade dos povos africanos contra o colonialismo europeu, e um dos grandes responsáveis pela independência do então Congo Belga, em 1960. Com apenas 35 anos assumiu o cargo de primeiro-ministro, mas logo no ano seguinte seria torturado e brutalmente assassinado.

Há ainda ruas e avenidas que homenageiam Karl Marx, Olof Palme, Ho Chi Min, Frederich Engels, Kim Il-S Sung, entre outros nomes célebres, e também heróis anônimos, como a Rua Mártires da Machava. Pode-se passear também pela Rua da Resistência e pela Rua da Guerra Popular.

Mas encerramos falando de uma das poucas mulheres que foram celebradas pelo governo revolucionário: Emília Daússe, que dá nome a uma longa avenida. Nascida na província do Tete, em 1953, Emília ingressou na Frelimo em 1971 e foi uma das mais ativas jovens guerrilheiras da Frente. Passou por treinamento político-militar na Tanzânia em 1972 e  comandou um pelotão de cerca de 40 combatentes (homens e mulheres). Morreu aos 20 anos em uma emboscada das tropas coloniais 1973. Há ainda a Avenida Ruth First e Avenida Josina Machel, sobre quem falaremos em outro artigo.

Caso os pés não aguentem mais, você tem três opções, se taxi estiver fora de cogitação. A primeira é pegar um “chapa”, autocarro, ônibus. A segunda é optar pelo MyLove, carrinhas abertas e assim chamadas porque os passageiros vão colados um no outro. E terceira alternativa é o txopela, um triciclo motorizado que pode levar até três passageiros.

Vale ressaltar que em Moçambique dirige-se à esquerda. Por isso, cuidado na hora de atravessar as ruas.

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