Instruções para proponentes de Oficinárias aprovadas

 

 

É com grande satisfação que a Comissão Organizadora divulga os resultados da avaliação de propostas de Oficinárias para compor a 14ª edição do Congresso Mundos de Mulheres (MM), que irá decorrer na cidade de Maputo, Moçambique, no Campus Universitário da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), sob o lema FeminismoS AfricanoS – construindo alternativas para as mulheres e para o mundo através de um corredor de saberes que cuida e resiste.

 

 

Devido ao contexto da pandemia da Covid-19 e tendo em conta que o evento será presencial, a Comissão Organizadora acompanha a evolução da situação mundial para poder informar uma nova data, em momento oportuno.

 

 

Contudo, a Comissão Científica do MM pretende terminar o processo de submissões de trabalhos e, para isso, seguem as instruções para coordenadoras/es das Oficinárias, sobre os próximos passos.

 

As pessoas que tiveram suas Oficinárias aprovadas são as coordenadoras das mesmas. Serão responsáveis pela recepção, avaliação e aprovação dos trabalhos de comunicação oral (relatos de experiências de ativismo, artísticas e/ou profissionais ou de pesquisas acadêmicas) que serão submetidas em suas Oficinárias.

 

 

As Oficinárias serão realizadas em secções paralelas, portanto, no momento de orientação das avaliações, iremos informar sobre o número de trabalhos a serem aceitos em cada Oficinária, considerando os espaços disponíveis.

 

As propostas de comunicação oral são feitas em formulário próprio e devem conter as seguintes informações:

 

  1. Indicação da Oficinária pretendida – confira na listagem logo abaixo;
  2. Título da comunicação oral;
  3. Modalidade (a) relatos de experiências de ativismo, artísticas e/ou profissionais ou de b) pesquisas acadêmicas);
  4. Resumo de até 500 palavras;
  5. 3 a 5 palavras-chave;
  6. Idiomas que podem ser utilizados: Português, Inglês, Espanhol e Francês (todas as propostas devem ter uma versão em Inglês).

          Confira aqui o cronograma atualizado do processo das Oficinárias. 

 

 

Eixo 01: Corpos e sexualidade

Coordenadorxs/Avaliadorxs: Edgar Cubaliwa e Margarida Paulo

 

Título

Proponentes

Resumo

01

Mulheres negras contam histórias com seus corpos

 

Jaqueline Conceição da Silva – Universidade Federal de Santa Catarina – Colectivo Di Jeje

jaquelineconceicaosilva@gmail.com

A presente oficinária tem por objectivo debater sobre a relação entre corpo e racialidade de mulheres negras entre 45 e 60 anos, abordando discussões sobre afectividade, sexualidade e maternidade no contexto de vulnerabilidade na periferia da Cidade de Florianópolis, na região Sul do Brasil. A partir da noção de corpo – escrita presente em sua etnografia, a mediadora trabalhara com gestualidade.

02

Raça, Gêneros, Sexualidades e Desejo: Corpos/as ‘Abjetos/as’ e o cuidado em saúde

 

Fátima Lima – Universidade Federal do Rio de Janeiro/UFRJ

fatimalima4@gmail.com

 

As produções dos corpos, as construções das performatividades de gênero e o exercício das múltiplas sexualidades fazem parte dos modos de ser e estar no e em mundos dos diferentes sujeitos sociais e são inseparáveis do processo de racialização. A Raça é genderificada ou genderizada assim como o gênero e as sexualidades são racializadas. A matriz da heteronormatividade ou a ‘cisnormatividade’ constitui um imperativo normativo que conformam os sujeitos/corpos/desejos acionando processos de subjetivação assim como a matriz de racialização. Nas práticas em saúde esta questão se intensifica na medida em que uma certa biologia herdada do século XIX e fundamentada na anatomo-fisiologia e na clínica moderna acabam por reduzir os sujeitos, seus corpos e sexualidades ao orgânico. Assim, a oficina tem como ponto central discutir como a ficção racial, as questões de gênero e sexualidades aparecem na formação na área da saúde e refletir como uma formação diferenciada que leve em conta a multiplicidade dos corpos, as performatividades de gênero e as sexualidades é capaz de fazer diferença na construção do acesso e do cuidado integral.
Do ponto de vista metodológico, vamos trabalhar com diferentes materiais imagéticos: trechos de filmes e documentários, fotografias, instalações que tenham na multiplicidade de corpos sua potência: corpos mastectomizados, faltando membros, ‘intersexuais’, transexuais, negros, gordos, enfim, os corpos que são produzidos em zonas de abjeções tendo no racial a espinha dorsal. A perspectiva é fazer encontrar diferentes experiências na formação e nas práticas de saúde em diferentes países e contextos, principalmente os de língua portuguesa que possibilite estabelecer trocas, permutar experiências, procurar perceber semelhanças e assimetrias, permitindo que construamos uma agenda que tenha no “em comum” o lugar da multiplicidade das experiências.

03

Género e sexualidade nas múltiplas intersecções.

 

Joana Maria Pedro e Tauana Gomes Silva – Universidade Federal de Santa Catarina

joanamaria.pedro@gmail.com

 

E num primeiro momento escrever a História das Mulheres e das sexualidades dissidentes, com a abordagem de gênero pareceu inovador, o questionamento das questões de raça/etnia e classe mostrou que a categoria interseccionalidade tornava-se imprescindível. As contribuições do feminismo negro tornaram muito mais complexa a operação historiográfica.  Reconhecer que os corpos que importam têm raça, classe, gênero e sexualidade permite perceber os impactos diferenciados da misoginia, da desqualificação e da discriminação. Somam-se a isso as questões regionais, relativas aos recentes processos migracionistas que tem como consequência o deslocamento de significativos grupos de mulheres dos países do Sul em direção aos países do Norte, mas também dos países do Sul em direção a outros países do sul global. Gerando, atualmente, diferentes discursos de intolerância e práticas políticas específicas de opressão baseadas na descendência e na origem nacional. Esta oficina pretende discutir a capacidade inovadora da categoria interseccionalidade nas pesquisas sobre gênero e sexualidade, trazendo para o debate as pesquisas que têm articulado esta discussão na análise das fontes. As investigações que trazem análises sobre experiências de vida inscritas na convergência dessas identidades sociais, seja no âmbito nacional ou internacional, serão muito bem-vindas.

04

Corpo… Uma Narrativa Literária: ‘Mães de Luza’ um conto para ampliar os pontos na formação docente

Fátima Santana Santos e Ladjane Alves Sousa -Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) Universidade Federal da Bahia (UFBA)

fatima.santana19@gmail.com

A oficina, aqui apresentada, corresponde a uma sensibilização formativa para educadores. A sensibilização refere-se a um momento inicial de reflexão sobre o uso de literaturas infantis dissidentes entre as práticas docentes, sobretudo, ao que se refere as questões ligadas a interseccionalidade atravessada pelos eixos gênero, raça e renda. A principal literatura infantil usada corresponde ao conto intitulado Mães de Luza, que conta a história de uma menina negra, de 06 anos, que tem duas mães.
O escrito narra sobre a história de seu nome, mas ao passo que a narrativa se desenvolve informações sobre a vida de Luza junto as suas duas mães compõem, também, o conto. A intenção é refletirmos sobre um tema tão urgente e necessário como a interseccionalidade que conformam a complexidade das experiências humanas, que entre outras possibilidades, envolve questões e interações entre os eixos de subordinação como gênero, raça e renda. Repensar as configurações para além das famílias nucleares é de grande relevância, pois as formas de viver e constituir famílias são amplas e insistir em propagar uma visão tão única e simplista sobre as relações humanas é uma forma explícita de conformação da cultura hegemônica que vem pautando o projeto heteronormativo de sociedade ao qual estamos subordinados, mesmo quando nos colocamos insubmissos. Essa oficina diz respeito a uma sensibilização formativa docente que visa repensar, de maneira crítica, a partir de uma literatura infantil, os corpos dissidentes de mulheres lésbicas, negras, periféricas. Embora, Mães de Luza, seja o conto principal, iremos usar outros dois contos, Pode Pegar! Como leitura deleite, e, Ceci tem pipi? Nosso objetivo é possibilitar reflexões sobre o uso das literaturas infantis atravessadas por interseccionalidade entre eixos de subordinação, como gênero, raça e renda e mobilizar saberes e fazeres entre as práticas docentes escolares sobre literaturas infantis dissidentes.

05

TransIdentidades, corporalidades dissidentes e interseccionalidades em contextos latino-americanos: perspectivas decoloniais

 

Maria Zanela e Gabriela da Silva – Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

aprendereler@gmail.com

O presente Simpósio Temático (ST) tem como objetivo articular reflexões e saberes acerca da pluralidade de identidades negras, travestis, transexuais e transgêneras e suas dissidências corporais, à luz de processos constitutivos interseccionais e decoloniais. A partir de uma perspectiva transdisciplinar o ST propõe reunir estudos de diferentes áreas do conhecimento, assim como aproximar diálogos e epistemes acadêmicos e ativistas, que contribuam para evidenciar a potência das vozes latinoamericanas, de modo a problematizar práticas coloniais e hegemônicas no campo dos estudos de gênero, feministas e correlatos. O ST acolherá estudos que tratem do movimento de negras/os, travestis, transexuais e transgênerxs na América Latina, em suas múltiplas reivindicações e lutas; a diversidade de experiências do/com o vivido das TransIdentidades e as intersecções entre raça/etnia, gênero, sexualidades, classe, geração e deficiência, dentre outras condições e categorias sociais que se conectem à proposta temática apresentada. Este ST poderá propiciar um espaço de interlocução e reflexão importantes à produção e circulação do conhecimento aos estudos de gênero e feministas. A sua incorporação na programação do evento se justifica pela emergência e insurgência, nas últimas décadas, de lutas dos Movimentos Negro, LGBI (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Intersexo) e travesti/Trans, aliadas aos feminismos, mobilizadas ao enfrentamento das desigualdades raciais, sexuais e de gênero em contextos latinoamericanos. Destarte, espera-se com esse ST acolher e discutir propostas de trabalhos que abordem as múltiplas e diversas dissidências corporais, desde uma perspectiva interseccional e decolonial, aglutinando saberes oriundos tanto das práticas acadêmicas como das práticas militantes.

 

Prazer Como Tecnologia Ancestral de Cura Matriarcal

Caroline Amanda Lopes Borges – Yoni das Pretas (UFRJ)

yonidaspretas@gmail.com

Partindo da compreensão do erótico como poder, como nos traz Audre
Lorde, pretendo apresentar o trabalho pioneiro no acolhimento e
atendimento a mulheres negras no Brasil através da comunidade virtual Yoni das
Pretas, composta por mais de 21 mil mulheres – tendo atendido presencialmente
centenas delas- esse espaço aposta na AGÊNCIA das mulheres negras sobre si em
sua integralidade como estratégia de superação dos impactos do racismo. Sua
metodologia fornece ideias alternativas de cura e autocuidado oriundas de técnicas
milenares de saúde complementar provenientes da experiência afro matriarcal,
repassadas pela oralidade. A escassez de obras que versam sobre a força erótica das mulheres afro diásporicas no Brasil, faz desse trabalho uma missão que deve ser aprofundada e compartilhada a fim de que o exercício coletivo de cura possa ser compreendido como uma de resgate da ontologia ancestral UBUNTU. Afrobrasileiro; Mulheres, Medicina Tradicional; Gênero; Sexualidade

06

Mulheres velhas: corpos em trânsito

Aline da Silva Pinto e Ana Maria Colling – Universidade Feevale / UFGD

aspinto@hotmail.com

Viver a velhice é lugar distante, sempre à frente, adiada e negada por muitos sujeitos, manifesta por investimentos constantes na desaceleração do envelhecimento. Evitar os problemas, as dificuldades e incapacidades geradas pela deterioração do corpo é o que nos toma tempo na juventude. A velhice é vista como um demérito: parecer-se com alguém velho é uma ofensa para muitos, mas em especial às mulheres. Percepções se ampliam em direção à passagem do tempo para elas e seus modos de vida, suas ansiedades e buscas por uma juventude que se esvai com o avanço da idade. Desde cedo, nós, mulheres, compartilhamos hábitos de cuidado e manutenção da beleza e jovialidade, subscritas em ideias de saúde e qualidade de vida. Essa rede de saberes sobre como afastar as sombras do envelhecimento nos constitui e impregna as relações no mundo social. A atenção às marcas do envelhecimento e seu repúdio denotam uma rejeição ao que não é belo e jovem, o mercado adula a quem consegue manter-se “em forma”, aos que mantêm a vitalidade da juventude e, por sua vez, fazem a roda do consumo girar. Os lugares sociais tradicionalmente destinados às mulheres velhas se tornam estáveis, num sistema de regulação que as permite transitar num espaço controlado e “aceitável” para a vida no mundo globalizado, em que as possibilidades de existir parecem estratificadas por geração. A proposta para este evento é abrir um espaço para diálogos transculturais acerca da velhice das mulheres e seus corpos, tornando visíveis as marcas do tempo, como lugar de compartilhamento de experiências e de novas possibilidades de ação no mundo.

 

Eixo 02: Violência contra mulheres

Coordenadoras/Avaliadoras: Ana Piedade Monteiro, Cidinalva Silva e Lurdes Mabunda Espada

 

Título

Proponentes

Resumo

01

Violência contra as mulheres: herança do Patriarcado

Ana Maria Colling – Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD)

acolling21@yahoo.com.br

A violência contra a mulher, radical desigualdade entre os sexos é uma consequência do sistema patriarcal, caso de saúde pública em todo o ocidente, acirrada nos países latinos. De norte a sul, de leste a oeste, do barraco ao castelo, o aumento da violência contra a mulher tem assombrado a todos, parecendo fazer parte da paisagem natural. Homens assassinando suas ex-mulheres, ex-noivas, ex-namoradas, ex-companheiras, ex-amantes que se negaram a continuar os relacionamentos. Homens que matam mães em frente aos filhos, quando não matam inclusive os filhos, tirando suas vidas em ato posterior. Mulheres machucadas, queimadas, violentadas dando parte em delegacias de mulheres, ou calando-se por variados motivos. Violências simbólicas que não são representadas em atos físicos, mas que machucam tanto quanto, são também atos do cotidiano. O sistema patriarcal teve seus aliados e com eles se perpetuou. Em todos aparatos jurídicos como constituições, códigos e leis a mulher era tratada como um quase nada. Os crimes em defesa da honra inaugurado pelo código napoleônico, atravessam os anos e sua defesa se mantém no corpo social. E o mais triste de tudo isso é que muitas se sentem culpadas pelas agressões sofridas. A grande questão é como modificar a cultura que naturalizou a violência, o estupro, o assédio contra as mulheres? Algumas frentes de luta devem ser imediatas no combate à violência contra as mulheres, e a escola, desde seus primeiros anos, deve se preocupar em desnaturalizar a violência, desconstruir este discurso e estas relações que duram séculos. Se de um lado, o Brasil é um dos países mais avançados do mundo em relação às leis que tentam coibir e punir a violência, como a Lei Maria da Penha e a Lei do Feminicidío, por outro lado, paradoxalmente, é o quinto país que mais mata mulheres no mundo. Segundo Relógios da Violência, a cada 2 segundos uma mulher é vítima de violência física ou verbal no Brasil.

02

Violências de (baseada em) gênero no Mundo: balanço de pesquisas, políticas publicas e ativismos

Miriam Pillar Grossi – Universidade Federal de Santa Catarina

miriamgrossi@gmail.com

As violências que ocorrem nas relações de género, ganharam nas últimas cinco décadas, relevância social e teórica em decorrência das reivindicações dos movimentos feministas locais e globais e de convenções internacionais. Propomos, nesta oficinária, o compartilhamento de pesquisas, ações militantes e políticas publicas em diversos países do mundo. No que diz respeito à pesquisa propomos fazer uma análise comparativa dos conceitos e metodologias utilizados neste campo teórico-metodológico que teve inicialmente como foco a violência contra a(s) mulher(es), passando por outras denominações como violência doméstica e/ou conjugal, violências de gênero ou violência com base no género. No que diz respeito ao ativismo desejamos comparar as propostas de ação, palavras de ordem, práticas militantes desenvolvidas em diferentes contextos locais e nacionais. Em relação às políticas públicas propomos a comparação das diferentes legislações de combate às violências de gênero, assim como as ações de judicialização e/ou prevenção desenvolvidas. Estimulamos às participantes que contribuam, a partir de uma perspectiva feministas pós e decolonial a refletir sobre os discursos e práticas coloniais que tendem, recorrentemente, a naturalizar as diferentes formas de violências, tomando classe, raça, género orientação sexual e marcadores geográficos como questões fundantes. Propomos ainda, que o GT seja um espaço de interlocução entre gestoras e representantes do campo político, ativistas sociais e acadêmicas em torno das violências nas relações de género, permitindo a interlocução entre diferentes atrizes sociais do campo de estudos, ativismos e políticas públicas em torno da temática das violências baseadas em gênero.

03

Mulheres, infâncias e lutas por direitos

 

Joana Célia dos Passos e Patricia de Moraes Lima – Universidade Federal de Santa Catarina

passos.jc@gmail.com

Partimos nessa oficinária do entendimento que na cultura ocidental a marca da organização societal centra-se no patriarcado e o cuidado das crianças é continuamente delegado às mulheres. A constituição do gênero para as mulheres carrega esse sentido de uma “natureza” que tem por destino um dado de submissão e subordinação a uma cultura heteronormativa que cultua o lugar-de-poder do homem como aquele que precisa ser “preservado” e reiterado por um permanente assujeitamento das mulheres e por sua vez, das crianças. A referência da branquitude ocidental atua sobre essa condição normativa, pois tem como centro a experiência histórica das mulheres brancas como àquelas que reafirmam a produção do patriarcado pelo dado cultural eminentemente constituído pelo modelo eurocêntrico. Ocorre que ao tratarmos da interseccionalidade como “um sistema de opressão interligado” e ao descentramos a branquitude e recolocarmos no centro das nossas referências a negritude a partir de outros territórios, tais como no continente africano e na américa latina podemos nos perguntar: como as mulheres nesse contexto global onde se descortinasse o que é o “centro “, assumem a luta por seus direitos associadas a luta pelos direitos das crianças? Como a cultura negra atua sob suas referências para a desconstrução dos papéis sociais, na produção de gênero e das infâncias na sociedade contemporânea? Nosso objetivo aqui é conhecer experiências culturais, sociais que atuam no descentramento da branquitude e no empoderamento negro e seus reflexos na produção das mulheres e das infâncias contemporâneas.

04

As várias faces da Violência

 

Central de Movimento Popular de Pernambuco

Movimento Negro Unificado

martaalmeidafilha@hotmail.com

Apesar de termos avançado muito em Políticas Públicas para as mulheres ainda sofremos com as várias faces desta violência. Por ser sempre a mais grave sempre focamos na violência física, mais esquecemos que até chegarmos a este ponto vivenciamos as dores e delícias mulher. Além de sermos diversas. Somos pobres, pretas, indígenas, gordas, desempregadas com subempregos e por aí vai nossa labuta. De forma que precisamos reunir as mulheres para inclusive debater o quanto o preconceito, o machismo, o sexismo nos afasta de vivermos uma vida plena sem violência.

05

Mulheres no Mundo Contemporâneo, Feminismo Negro e as Epistemologias do Sul na Educação: por Pedagogias Decoloniais

 

Ana Lúcia da Siva (UEM) e Francy Rodrigues da Guia Nyamien (UNIOSTE)

alsilva.iv@gmail.com

 

No século XXI, no mundo contemporâneo, nesses tempos de globalização, de tecnologias digitais, da internet e da comunicação em redes sociais, nessa oficinária relacionada ao eixo temático: “Violência contra as mulheres”, objetiva-se reunir pesquisadoras e pesquisadores que desenvolvem estudos que dêem visibilidade a História das mulheres e as epistemologias do Sul na Educação. As epistemologias do Sul fazem alusão às lutas políticas e sociais de movimentos sociais e ativistas que questionam múltiplas formas de opressão, tais como o colonialismo, o racismo, o patriarcado, o machismo, o capitalismo, entre outras. Visa-se dialogar com intelectuais que pensam a realidade social das mulheres no mundo contemporâneo, especificamente das mulheres negras e o Feminismo Negro. Além disso, expor como a Educação pode ser um dos caminhos para se problematizar e combater as práticas de violências contra as mulheres, questionando o paradigma ocidental e eurocêntrico, as heranças do colonialismo, como o racismo, o patriarcado e o machismo, dando visibilidade às epistemologias do sul. Uma Educação em uma perspectiva democrática e antirracista, ancorada nas pedagogias decoloniais, desconstruindo o epistemicídio de saberes oriundos do povo negro e das mulheres negras nas instituições de ensino, proporcionando o diálogo interseccional gênero, raça, classe e diversidade sexual. Desta maneira, no âmbito da Educação, propõe-se apresentar possibilidades de lutas, resistências, combate e eliminação da violência contra as mulheres, e reexistências.

Palavras-chave: Mundo Contemporâneo. História das mulheres. Feminismo Negro. Epistemologias do sul. Educação.

06

Violência contra a Mulher, interdisciplinaridade e Formação Profissional

 

Luciana Patrícia Zucco, Mara Lago e Teresa Kleba Lisboa – Universidade Federal de Santa Catarina

tkleba@gmail.com

 

O enfrentamento à Violência contra a Mulher requer um trabalho interdisciplinar e intersetorial. A equipe de profissionais que atende as mulheres em situação de violência nas Instituições que compõe a Rede de Enfrentamento, geralmente, é formada por Assistentes Sociais, Psicólogas/os e Operadores/as do Direito. É recomendável que no processo de formação dessa equipe de trabalho, os estudos feministas e de gênero tenham feito parte do currículo, para que possa ocorrer um intercambio produtivo e racional, cada qual trazendo para o cotidiano de intervenção as categorias teórico práticas de sua área, numa perspectiva interseccional, atentando para as questões de gênero, classe, raça/etnia entre outros. A Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) prevê em suas ações três tipos de medidas: a prevenção, a proteção (ou assistência) e a sanção. Em cada uma dessas medidas as/os profissionais possuem conhecimentos e habilidades para trabalhar em equipe, sendo fundamental para a acolhida das mulheres, orientações e encaminhamentos à Rede de Serviços, cursos que assegurem processos reflexivos sobre o fenômeno e atualização da literatura e legislação. A partir de uma abordagem feminista, propomos partilhar as ações realizadas pela academia no âmbito da UFSC/Brasil para a formação continuada de equipes e profissionais que atuam ou pesquisem sobre a temática ao longo da Pandemia/Covid-19. É notório nos meios de comunicação e institutos de pesquisa o aumento da violência contra a mulher nesse período no Brasil e outros países, o que nos levou a formular cursos que pudessem discutir as legislações e aspectos conceituais das violências contra a mulher, especificamente o feminicídio (Lei 13.104/2015). Lembramos que esses/as profissionais propõem políticas públicas, organizam e preveem recursos para implementar técnicas para trabalhar no vasto campo da violência de gênero.

 

Eixo 03: Autonomia económica e trabalhos das mulheres

Coordenadoras/Avaliadoras: Graça Samo, Isabel Casimiro e Teresa Cunha

 

 

Título

Proponentes

Resumo

01

A autonomia pela base: educação financeira, economia política e a questão das mulheres

Gabriela Mendes Chaves; Arana Guimarães – NoFront – Empoderamento Financeiro

gabriela@nofront.com.br

Quais os impactos concretos do avanço neoliberal na reprodução da vida cotidiana? A partir de uma reflexão baseada nos marcos da crítica feminista da economia política, a oficina propõe a investigação de caminhos para a autonomia econômica das mulheres, a partir de instrumentos da organização financeira. A NoFront – empoderamento financeiro é uma plataforma de capacitação financeira que surgiu em São Paulo em maio de 2018. Sua missão é fornecer educação econômica básica e alfabetização financeira à comunidade negra no Brasil. Utilizando uma pedagogia da interação através do rap, a iniciativa já alcançou mais de 2000 pessoas no Brasil, das quais 68% são mulheres negras. O principal objetivo é incidir sobre o ciclo da pobreza através do conhecimento.

02

Empreendedorismo – vidas de trabalho, resistência e luta pela autonomia feminina e outras questões

 

Edilson de Jesus Sá – Programa de Pós-Graduação em Cartografia Social e Política da Amazônia – Universidade Estadual do Maranhão/UEMA

edilsonnsa@hotmail.com

 

Inspirados nas milhares de histórias de luta, enfrentamento e protagonismo, indo de encontro a opressão que determina inclusive os corpos e não quer permitir a emancipação feminina, na maioria das vezes, em uma luta solitária e culpabilizada. Contudo, muitas vitórias também acontecem, no entanto “perdem” espaço pela urgência dos casos de violência. O escopo dessa oficinária é oferecer um espaço, ainda que restrito a academia, para que sejam compartilhadas essas histórias que acontecem em todos os lugares, no trabalho diário restrito às atividades para garantir o sustento de sua família e em outros lugares. Nosso interesse por esse espaço de discussão tem inspiração em um grupo de afroempreendedoras que formaram um coletivo chamado de “Feira das Pariceiras” artesãs que trabalham com vários tipos de materiais, inclusive com uma linha especifica de produtos, assim chamados de “afro” que remetem ao continente africano, e também, a Jamaica – com suas cores da sua bandeira e o reggae, ritmo musical de forte influência em São Luís. Uma particularidade é que essas artesãs comercializam seus produtos em feiras que são organizadas dentro da academia, mas, poucas tem acesso a esses espaços de formação, por exemplo, são chamadas para atender a demanda comercial, mas poucas vão além dos halls desses prédios. Dito isso, queremos compartilhar questões atinentes aos feminismos maranhense e sobre o combate das representações impositivas de família, trabalho, gênero e raça, para citar apenas esses exemplos. Seja compartilhando histórias em comunicações afetuosas ou com o trabalho das pesquisadoras e pesquisadores. São relações de poder que tentam inviabilizar o que é construído a passos firmes, entretanto lentos, mas, contínuos, ainda que o caminho seja longo. Pretendemos discutir com e/ou a partir dessas mulheres, compartilhando histórias e multiplicando conhecimento.

03

Mulher: os desafios para sua inclusão económica

Páscoa Themba Buque – Associação Kulani

pascoabuque@gmail.com

Como diz Christopher (2008) “…as Fêmeas Alfa são uma força extremamente poderosa no mundo dos negócios. Pensam por objectivos, assumem toda a responsabilidade pelos resultados, não abdicam do seu poder…são mestres na criação de poderosa rede de contactos”.  Hoje é notória a mudança de paradigma, vemos mais mulheres expostas ao mundo de trabalho, fora de portas caseiras que, ajudadas pela dinâmica do desenvolvimento tecnológico global e da consolidação do sistema de mercado, aumentam a sua participação como força de trabalho e geradoras de renda. Em Moçambique a inclusão da mulher no mercado de trabalho e de geração de renda é considerável, mas ainda há barreiras que as mulheres enfrentam para suprir e se fazerem na dianteira como actores económicos.
Mariza Esculudes afirma “como mulher a minha participação deu impulso ao crescimento do negócio, trouxemos maior produtividade e crescimento ao empregar mais mulheres. É verdade que tivemos barreiras no acesso ao financiamento, mas olha…hoje somos melhores mutuários”. Esta depoimento mostra que basta a mulher ser audaz e participar que os resultados são os melhores. Conforme a Sra Marliza quanto mais mulheres participavam, a empresa embarcava noutros níveis de processamento e empacotamento de produtos agrários no seu empreendimento.  Nesta temática pretendo juntar-me a mais uma colega para coordenar o debate e aprofundar a reflexão sobre como reduzir as barreiras à participação da mulher na força de trabalho e geração de renda, assuntos como acesso a políticas para o desenvolvimento sustentável, acesso a mercados, preços e finanças, serão tratados.

04

Os Cuidados desde a óptica dos Feminismos Africanos

 

Teresa Cunha & Cristina del Villar-ToribioCentro de Estudos Sociais. Universidade de Coimbra/Universidad de Sevilla

mcrviltor@alum.us.es

Esta oficinária esta dedicada a estudios teóricos e empíricos sobre cuidados, tanto na vida cotidiana das mulheres (cuidado de pessoas doentes, crianças, pessoas idosas, cuidados comunitários, etc.)  autocuidados e como trabalhos relacionados com os cuidados que sejam analisados desde as propostas dos feminismos africanos. Também esta dirigida a aqueles estudios que fazem un análisis crítico feminista das políticas e instituçoes relacionadas com os cuidados, o cujas accoes tenham impacto nas práticas de cuidados das mulheres.

05

A Resistência da Cultura em um Contexto de Neoliberalismo e Globalização

 

Lúcia Maria Aquino de Queiroz e Clécia Queiroz – Universidade Federal do Recôncavo da Bahia; Universidade Federal de Sergipe

luciamaqueiroz@yahoo.com.br

Esta oficinária se propõe a agregar reflexões acadêmicas e artísticas que analisem a resistência da cultura e, mais especificamente, de grupos culturais compostos por mulheres, em um contexto em que reina a ideologia neoliberal e as influências de uma globalização perversa, caracterizada pela competitividade, comando político do capital empresarial, tirania do dinheiro e da informação. Neste cenário adverso grupos compostos pela força feminina vêm utilizando sua arte, seu trabalho artístico como forma de fortalecimento de laços identitários, de preservação e salvaguarda do seu patrimônio cultural e de melhoria da qualidade de vida das integrantes, inclusive no que se refere à saúde mental. Com a colaboração de diversas experiências e saberes dos participantes esta oficinária se propõe a refletir sobre a ação desses grupos, dentre os quais alguns responsáveis por referências culturais reconhecidas como patrimônio, analisando suas trajetórias, ações, dificuldades e mecanismos utilizados para sobrevivência. Em adição, visando contribuir com uma experiência concreta, esta proposta compreende também a realização de oficina teórico-prática de Samba de Roda, referência cultural central para um conjunto de grupos brasileiros situados, sobretudo, no Estado da Bahia, a ser ministrada em três horas. Estudos realizados pelas proponentes revelam que o Samba de Roda, patrimônio imaterial do Brasil (2004), da Bahia (2020) e Obra Prima da Humanidade pela UNESCO (2005), tem possibilitado o fortalecimento de diversos grupos culturais, a constituição de novos mecanismos de gestão da cultura, o empoderamento feminino e melhoria das condições de vida de mulheres integrantes de grupos que se organizam em prol desta forma de expressão, as denominadas sambadeiras. A troca de experiências, teórico-práticas, proposta por esta oficinária tem por finalidade central contribuir com alternativas possíveis de resistência para mulheres e grupos femininos, situados, sobretudo, em países em desenvolvimento, subjugadas por preconceitos raciais, sociais, pelo colonialismo e machismo imperantes nas localidades em que vivem.

06

Género, Mobilidades e Fronteiras Contemporâneas em Contextos Africanos

 

Eufémia Vicente Rocha e Clementina Furtado – Universidade de Cabo Verde

eufemia.rocha@docente.unicv.edu.cv

A proposta que apresentamos para esta oficinária – Género, Mobilidades e Fronteiras Contemporâneas em Contextos Africanos – objetiva conhecer perspetivas teórico-práticas, metodológicas e/ou epistemológicas, ações e experiências outras que se tenham debruçado sobre a participação das mulheres nas mobilidades contemporâneas e travessia de fronteiras, na medida em que sabemos que ao longo do século XX, do ponto de vista académico-científico, elas foram negligenciadas e invisibilizadas nesses processos. Sendo assim, o género é tomado aqui como uma categoria fundamental para a compreensão dos movimentos migratórios e dinâmicas conexas.
Daí que nos interesse acolher trabalhos que se dediquem, além das distintas características e estratégias que marcam as circulações no continente africano quer sejam internas, regionais ou internacionais, às articulações entre as relações de género, as mobilidades e as fronteiras. Portanto, dar conta das narrativas, discursos ou práticas que advêm da produção e formas de conhecimento de mulheres ou que as consideram.  Portanto, esta proposta constitui um espaço que nos desafia a ter uma visão mais extensiva e integrada sobre as mobilidades e as fronteiras e pensarmos as mulheres migrantes na inserção no mercado de trabalho, nas conjunturas familiares e de vida privada, na educação e formação profissional, na inserção e centralidade das redes sociais, nos aparelhos jurídicos e políticos, nas experiências individuais ou identitárias, etc.

07

Mulheres pretas reafirmação, engajamento e conquista de espaço profissional, através do Reggae.

 

Ana Cristina Pereira Monteiro, Nerinalva Alcântara Gonçalves de Azevedo – Unegro (União de Negros pela Igualdade)

at_inna@hotmail.com

 

Culturalmente em São Luís do Maranhão, o reggae é um pilar e ferramenta de resistência negra e das populações de periferia, porém o espaço de condução e organização dos eventos ligados a esse ritmo era predominantemente masculino. Nas três últimas décadas as mulheres vêm buscando se colocar nesse espaço que, se apresenta como plural, mas restringe as manifestações e talentos femininos, enfrentando diversos desafios e desqualificações por sua condição. A proposta de oficinária que apresentamos a este coletivo pretende ser um espaço reflexivo e de proposição de estratégias e novos diálogos para o fortalecimento da posição profissional da mulher e de sua voz através do reggae, buscando uma mudança de cenário e a abertura deste para outras tantas vozes femininas. A proposta de tratar esse tema se consolidou nas rodas de conversas com o grupo Star Dance com as cantoras que estão nesse desafio hoje, Célia Sampaio e Núbia Rodrigues e com outras mulheres que admiram e fazem parte do movimento regueiro em São Luís.  Desta forma a oficina e os produtos construídos por ela, servirão de base para um trabalho que será feito com grupos de mulheres abordando essa temática, e para disseminação no espaço cultural ludovicense objetivando o exercício de um diálogo mais promissor entre mulheres, com mulheres e com homens e mulheres. Tornando se ferramenta de conquista feminina em outras linguagens culturais e artísticas.

 

Eixo 04: Serviços públicos e seu impacto no quotidiano de mulheres e raparigas/meninas

 Coordenadorxs/Avaliadorxs: Carlos Fernandes, Hélder Pires Amâncio, e Roselete Fagundes de Aviz

 

Título

Proponentes

Resumo

01

Mulheres, Saúde e cultura em África e Brasil: agentes, experiências e políticas.

 

Jacimara Souza Santana e Graça Cumbi -Universidade do Estado da Bahia (UNEB); Direcção Nacional de Medicina Tradicional de Medicina Tradicional e Alternativa/Ministério da Saúde-Moçambique

jacimaraafrica@gmail.com

 

Esta Oficinária tem por finalidade realizar uma mostra da contribuição das mulheres na produção do conhecimento de saúde e gestão de assistência às populações negras e ameríndias em África e Brasil. Ao longo do tempo mulheres na condição de parteiras, praticantes de medicina tradicional, lideranças ou membros de associações religiosas ancestrais africanas ou de matriz africana e ameríndias trabalharam e trabalham na assistência cotidiana de saúde às populações de forma complementar a assistência de saúde convencional, atuando enquanto produtoras de conhecimentos de saúde e guardiãs de suas heranças intelecto-culturais. O que estas experiências de ação pública promovida predominantemente por mulheres têm a ver com as políticas públicas de saúde? O que é política pública de saúde? Por que ao longo do tempo a sociedade e em alguns casos, o estado e/ou classe médica sustenta uma relação periférica ou excludente com a assistência de saúde promovida por essas mulheres e para as mulheres? Que contribuições teóricas estas experiências trazem ao campo de estudos de mulheres e relações de gênero/raça? Interessam-nos construir um diálogo acerca da produção de conhecimentos de saúde (concepções de saúde e percepções a volta da doença, recursos, maneiras, práticas experiências de cuidados e etc.…) exercido por mulheres e refletir o lugar que esta produção ocupa ou deve ocupar nas políticas de saúde do estado, avaliando desafios, problemas e estratégias dos países africanos e do Brasil. Também reunir trabalhos que discutam propriedade intelectual, assistência de saúde pública, conhecimento tradicional e educação sobre a doença e saúde, Gênero e ou raça, aspectos sócios culturais e influência externa e que torne visíveis as experiências de mulheres e suas memórias de intervenções em prol do bem-estar social e da saúde das pessoas ao longo do tempo. São bem-vindas/os pesquisadoras/es, lideranças e ou membros da medicina tradicional, de religiões ancestrais africanas e de matriz africana assim como ameríndias, profissionais da saúde, representantes de movimentos sociais e demais interessados no tema.

02

Articulações entre gênero e saúde: olhares a partir das políticas e serviços públicos.

 

Lúcia Helena Guerra e Clélia Francelina Pondja – Universidade Federal de Pernambuco e Centro de Integridade Pública

 

Os processos de saúde, cuidado e doença estão atravessados pela dimensão de gênero, no que diz respeito aos modos de atenção, ao tipo de adoecimento e políticas públicas. Muitos países, entre os quais Moçambique, possuem programas e políticas voltadas à saúde das mulheres e raparigas/meninas, frequentemente como resposta às demandas do movimento feminista e por exigência de instituições internacionais, como FMI ou Banco Mundial. Embora essa incorporação não seja garantia de boas práticas no oferecimento destes serviços.
Assim, estimula-se o envio pesquisas que possam trazer subsídios para uma discussão e reflexão sobre as ausências e transformações nos serviços públicos de saúde, e os impactos desta realidade na vida das mulheres. Nesta oficina, também pretendemos valorizar a apresentação de intervenções sociais, resistências e alternativas (estatais ou não estatais) que nos ajudem a melhor compreender as dimensões entre gênero e saúde nos processos de cuidado e adoecimento, levando em consideração ainda as relações de poder e desigualdade neles envolvidas. No cenário de contexto de crise, desmantelo das políticas públicas e ameaças crescentes dos direitos conquistados, discutir a importância e os significados sociais do cuidado e da saúde das mulheres é um assunto que consideramos dos mais relevantes.

03

Brasil e África: desafios das políticas de igualdade racial e de gênero em âmbito nacional e internacional

 

Matilde Ribeiro – Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB)

ribeiromatilde2019@gmail.com.br

A oficina propiciará reflexão e diálogo entre mulheres brasileiras e africanas sobre a relação Brasil-África considerando as políticas públicas em todas as áreas, mas em especial as de igualdade racial e de gênero. As políticas públicas, nesse contexto, são consideradas como ações afirmativas, reafirmando as políticas externas. No Brasil, como política interna, as ações de promoção da igualdade racial, são intensificadas a partir doa anos 1980, tomando maior densidade nos anos 2.000. Também, no século XXI, são intensificadas relações do Brasil com o continente africano, em especial, nos períodos do governo Luís Inácio LULA da Silva (período de 2003 a 2010). Assim, nessa oficina pretende-se intercambiar informações e elaborar proposições a partir do olhar e da perspectiva das mulheres negras sobre a relação Brasil-África.

04

Mulheres, Educação e Políticas Públicas: perspectivas plurais e decoloniais.

 

Violeta Maria de Siqueira Holanda e Elsa Maria Frederico Livo Ozobra – Universidade da Integração Internacional da Lusofonia afro-Brasileira (UNILAB) e Universidade Licungo Extensão da Beira (Moçambique).

violeta@unilab.edu.br

 

Nossa oficinária pretende debater sobre o acesso à educação em diversos contextos socioculturais, considerando possíveis abordagens comparativas, como por exemplo, Brasil e Moçambique, dentre outras. Terá como enfoque os processos de ensino-aprendizagem sintonizados com o debate contemporâneo sobre gênero, violência sexista, marcadores sociais da diferença, interseccionalidades, racismos e garantia dos direitos de cidadania das mulheres. Tendo em vista o cenário atual de Moçambique sobre o acesso maior das mulheres ao emprego formal e uma possível diminuição dos índices de desigualdades entre homens e mulheres, serão bem-vindas reflexões que pautem sobre o papel da mulher moçambicana no seio da família, desafios da mulher no mercado de trabalho, empoderamento feminino e pautas ampliadas sobre planejamento, monitoramento e avaliação de políticas públicas (governamentais e não governamentais) de inclusão, com perspectivas plurais e decoloniais, que valorizem as experiências e os saberes femininos locais.

05

Novos contornos na produção de conhecimento: intelectuais negras como referências positivas nos cursos de formação de professores, no cotidiano da prática docente e criação de lugares de acolhimento, cuidado e afeto.

Jacqueline da Silva Costa e Carolina Maria Costa Bernardo

– Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB)

jacquelinecosta.sol@unilab.edu.br

A presente oficina tem como objetivo discutir a importância de intelectuais brasileiras, africanas e norte-americanas no nosso cotidiano como intelectuais negras nos diversos lugares de atuação. A produção dessas mulheres nos auxilia compreender nosso lugar de existência, nossas experiências de vidas perpassadas pelo racismo, nos auxilia sobremaneira na construção e desconstrução de conceitos, teorias, desenvolvendo em nós pretas um sentimento de pertença no mundo acadêmico e recriando de lugares de acolhimento, cuidado e afeto.

Palavras-chave: Intelectuais negras, racismo, produção de conhecimento, acolhimento/afeto.

 

 

Eixo 5: Bens comuns

Coordenadoras/Avaliadoras: Laurisa Farias e Margarida Paulo

 

Título

Proponentes

Resumo

01

Oficina Saberes Ancestrais na Saúde

 

Leila Rodrigues Rocha e Francisca Silva de Andrade – Ilera: ancestralidade e saúde

ilera.ancestralidadeesaude@gmail.com

A Oficinária é voltada para o uso dos saberes provenientes das raízes negras, tem como finalidade a promoção da saúde da mulher, utilizando-se da flora e do conhecimento ancestral, garantindo o bem-estar biopsicossocial. Toma como patamares os aromas, sabores e propriedades medicinais de plantas, é um espaço para as mulheres partilharem suas experiências.

02

Subjetividade quilombola: a conservação das sementes crioulas e a perspectiva das famílias quilombolas na busca por melhores condições de vida e a ideia de Bem Viver

Sílvia Regina Teixeira Christovão – Universidade Federal de Santa Catarina

silviachristovao@gmail.com

 

Compreender os elementos que constitui o Bem Viver dos remanescentes do quilombo São Roque SC/RS. Norteado pelo acesso a terra, recursos naturais, a relação com as sementes crioulas e autonomia. Uma alternativa dentro do sistema capitalista. Oportunidade para construir outra sociedade, sustentada na coletividade, no equilíbrio com a Natureza, na ligação com a terra.

 

Eixo 6: Paz e desmilitarização

Coordenadorxs/Avaliadorxs: Duarte Rafael e Egna Sidumo

 

Título

Proponentes

Resumo

01

Acampamento internacional solidário de mulheres: construindo alternativas pós ciclones e conflitos armados

 

Carlota Inhamussua e Veronica Ngwenya – Movimento de Mulheres da Região Centro

grupomulheressofala@gmail.com

 

As mulheres do movimento da Marcha Mundial das Mulheres de Moçambique da Região Centro de Moçambique, representadas pelo GMPIS de Sofala, LeMuSiCa de Manica, NaFete/Mulheres intercessão de Tete e AMUDEM de Zambézia, propões realizar um acampamento solidário dentro do espaço do Congresso MM2020.
O acampamento tema por finalidade de promover a troca de experiência sobre as práticas solidárias das mulheres de base comunitárias de Moçambique e dos países falantes de Português (PALOPS). Propõe o tema Militarismo, Paz e Segurança e Mudanças climáticas (ciclones), partindo destes temas, será partilhado sobre, como O militarismo e mudanças climáticas, impactam na vida das mulheres e como as mulheres estão construindo as alternativas? O acampamento juntará 300 mulheres, sendo 290 de Moçambique e 10 mulheres dos países dos PALOPs. Com as mulheres dos PALOPS, pretende-se dar continuidade ao fortalecimento da troca de experiência e a continuação da construção um espaço solidário das PALOPS onde mulheres possam exercer voz, e desenharem alternativas como mulheres de base comunitárias dos PALOPS. 

 

02

Caminos y sentires de las mujeres: posibilidades para seguir sembrando paz

 

Lyda Mayerly González Orjuela y Michele Alves – Universidad Antonio Nariño e Instituto Federal de Educación Ciencia y tecnología de Piauí

lygonzalez@uan.edu.co

En el mundo entero las mujeres dentro de cualquier espacio de conflicto armado cuentan con una marca de violencia que supera las vividas por los hombres, son las mujeres quienes han sentido el dolor de la guerra en una magnitud superior; son violentadas tanto en su sexualidad, en su papel como madres, abuelas, tías, cuidadoras, en su fuerza de trabajo, el dolor por el desplazamiento forzado, así como la agudización de las violencias en contra de mujeres que pertenecen a grupos históricamente excluidos: sectores sociales LGBT, comunidades afro, grupos indígenas, niñas, ancianas, con discapacidad, entre otras. En ese mismo sentido son las mujeres quienes a lo largo de la história han mostrado la mayor valentía y resiliencia para seguir avanzando apesar de las marcas en sus pieles, la desaparición de sus hijos, el olvido Estatal. El querer volver a rehacer sus vidas muestra al mundo, a través de sus voces, que es la mujer quien jalona la restauración de paz en sus territorios. Con todo lo anterior, el taller que se propone es la invitación a que todas las participantes del mundo narren desde su propia vivencias, o la de otras mujeres, sus experiencias de lucha, mujeres que después de transitar por episodios de vergüenza, desolación y muerte, hicieron frente a la adversidad de la guerra creando nuevas apuestas para seguir caminando, para seguir reconstruyendo la vida.

 

 

Eixo 7: Terra, extractivismo e mudanças climáticas

Coordenadoras/Avaliadoras: Ângela Camana e Ezra Chambal Nhampoca

 

Título

Proponentes

Resumo

01

Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional de mulheres negras que fazem parte da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Débora Evellyn Olimpio e Lizia de Oliveira Carvalho – Rede de Mulheres Negras para Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional

debraolimpio@gmail.com

A construção coletiva do XIV Congresso Mundo de Mulheres 2020 potencializa o diálogo com diversas mulheres e nos colocas a possibilidade de criar estratégias frente aos desmontes e retrocessos de direitos que Países do Sul Global vêm enfrentando na nova década. A Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) apresenta nove países que por maioria então no eixo Sul-Sul exceto Portugal. Estes estão enfrentando desarranjos ambientais, econômicos, sociais, e de direito como um todo. O trabalho das mulheres frente ao processo de insegurança alimentar e nutricional vem em parceria às práticas de fortalecimento da agricultura convencional. O Feminismo Negro dialoga sobre pautas que visam à construção e o desenvolvimento de mecanismos para uma sociedade sustentável com economia solidaria feminista e das perspectivas de mulheres negras: quilombolas, ligadas aos cultos e manifestações de matriz africana, das águas, das florestas, dos campos e cidades. Ao elencar formas prioritárias para fortalecer as ações no incentivo da autonomia, que exponham as desigualdades de gênero, raça e a legalização da habilidade ancestral na cultura alimentar é importante a elaboração de estratégias emancipatórias para reconhecimento da cultura alimentar como patrimônio imaterial e material como já ocorre no Brasil. Isso precisa estar no cerne do enfrentamento ao racismo pelas organizações, portanto, há uma convergência de lutas, pois são oriundas da própria vivência e engajamento ligadas ao cultivo e comercialização de alimentos: uma prática que se atualiza porque não se afasta da vida das protagonistas. Portanto, a Rede de Mulheres Negras para Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional se propõe acalorar os diálogos e criar estratégias coletivas em torno do Direito Humano a Alimentação Nutricional Adequada para que se tenha alimentação em quantidade suficiente, referenciada na diversidade cultural e sem comprometer o acesso a outras necessidades básicas.

02

Mulher e Calamidades Naturais: Desafios, Respostas e Caminhos

Pascoa Themba Buque e Deolinda Fernando Timane – Associação Kulani – pbuque@kulani.org.mz

As mudanças climáticas representam uma grande ameaça a redução da pobreza e o cumprimento da agenda 2030 sobre desenvolvimento sustentável. Por causa das mudanças climáticas há maior intensificação de ciclones, inundações, desertificação e degradação dos solos incluindo a intensificação de pestes que destroem as culturas alimentares. Como consequência da degradação dos solos, as populações das zonas rurais (mais de 50 por cento em Moçambique) que vivem da agricultura, muitas vezes são obrigadas a emigrar à procura de solos mais férteis.
Como resultado das suas tradicionais funções domésticas, as mulheres trabalham mais, caminham mais para obter comida e água em tempos de seca ou outros desastres naturais que afectam directamente a subsistência das populações. O que se observa é que, apesar do reconhecimento geral sobre a necessidade de maior protagonismo da mulher no contexto das mudanças climáticas, na prática ocorre ainda de forma muito incipiente, pois a mulher continua ausente dos processos ligados a políticas ambientais incluindo mudanças climáticas. É neste contexto que, Páscoa Buque e Deolinda Fernando, Presidente do Conselho de Direcção e Directora Executiva, da Associação Kulani respectivamente, pretendem contribuir ampliando a reflexão sobre “Mulher e Calamidades Naturais: Desafios, Respostas e Caminhos”, cujos resultados vão ajudar a mulher a ser agente vital da mudança, e possa participar activamente nos processos e mecanismos de resiliência e adaptação às mudanças climáticas no País.   Neste tema abordamos i) desafios que a mulher enfrenta quando se trata de mudanças climáticas, ii) respostas dadas e iii) o que melhorar para fortalecer a resiliência, prevenir e mitigar os efeitos das mudanças climáticas.

 

03

Territórios das Mulheres Extrativistas Costeiro e Marinho: Impactos Sobre a Vida e Estratégias Em Tempos De Mudanças Climáticas.

Kátia Regina Aroucha Barros – Comissão Nacional de Fortalecimento das Reservas Extrativistas e Povos e Comunidades Tradicionais Extrativistas Costeiros e Marinhos

confrembrasil@gmail.com

Considerando que pesca está em colapso no mundo todo. Tendo os manguezais recifes de corais, campos submarinos e outros ecossistemas costeiros e marinhos como muito importantes para a vida marinha, para resistir aos ataques dos eventos climáticos e da subida do nível do mar e para proteção dos espaços de vida e trabalho das comunidades de pescadores e pescadoras artesanais. E sendo as comunidades, por sua vez, que tem grande potencial de proteção desses ecossistemas costeiros e marinhos cruciais, pela sua ocupação e uso sustentáveis.  Considerando que muitos ecossistemas marinhos ou costeiros apresentam importante conteúdo em carbono e papel também na mitigação das mudanças climáticas, e que as mulheres extrativistas desses territórios tem sido as mais impactadas e também as principais protagonistas quando se trata de pensar e implementar estratégias de superação. E considerando que a missão da CONFREM Brasil é desenvolver, articular e implementar estratégias coletivas visando o reconhecimento e a garantia dos territórios/maretórios extrativistas tradicionais costeiros e marinhos na dimensão social, cultural, ambiental e econômica, garantindo os seus meios de vida e produção sustentável. E o fortalecimento das redes de mulheres extrativistas tem sido uma das principais bandeiras. Rede de Mulheres Extrativistas do Sul da Bahia, Rede das Catadoras de Mangaba em Sergipe, Rede de Mulheres dos Manguezais Amazônicos nos estados do Maranhão, Pará e Amapá. Propomos a realização de oficina com a temática:  Territórios das Mulheres Extrativistas Costeiro e Marinho: Impactos Sobre a Vida e Estratégias Em Tempos De Mudanças Climáticas. Interação de conhecimentos acadêmicos e tradicionais pesqueiros que comprovam a efetividade dos Territórios Tradicionais para a conservação de ecossistemas marinhos, proteção de manguezais, recifes de coral e recursos pesqueiros em tempos de Mudanças Climáticas e o que fortaleça o protagonismo das mulheres nesses territórios.

04

Sagradas Mulheres Água

 

Oyaiyele Dolores Lima

FONSANPOTMA – Fórum de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos Tradicionais de Matriz Africana

m.dolores.prof@gmail.com

A sabedoria ancestral da circularidade é gestada e gerada num universo úmido e fértil. Seja em nosso corpo ou no planeta chamado de Terra é de Água que se alimenta primeiro, assim como na gestação água alimenta o feto gerado. Com este forte apelo e diante de tanas catástrofes climáticas, uma jovem negra paulista escreve uma carta. A Carta às águas. A suplica desta jovem nos inspira a realizar ações pelo mundo, mesmo que desconhecidas, que conscientizam e trazem ao debate experiências de preservação que podem salvar o mundo. O que nos ensina?  Os saberes ancestrais, a vivência enquanto Povo Tradicional de Matriz Africana na diáspora no maior país da América do Sul. A proposta da oficina é dar visibilidade a estas ações em seus diversos contextos, especialmente no Presente às águas, naturalmente nacionalizado no Brasil como Presente de Yemanja, sincretizado com diversas santas católicas resquício da escravidão mas que origina se em nosso continente como uma homenagem aos que foram sequestrados do continente africano nos três ciclos da escravidão – Bantu, Ewe-Fon e Youba – sucessivo sequestro, na atualidade,  pelo capitalismo e expropriado de sua origem e das atoras deste processo, as águas e as Yabas, as Mulheres Negras que mantiveram a memoria ancestral viva até os dias atuais pra que a geração deste jovem pudesse ter essa consciência. Para qualificar esta discussão nas questões ulteriores ao termo feminismo, temos recorrido aos escritos de Oyeronki. Temos nos relacionado com as mulheres da Via campesina e nossa principal defesa é da soberania alimentar com única alternativa de preservação da espece Humana. sem água não há alimento. Água é o primeiro alimento. Sagradas Mulheres por sermos nós as seres instrumento da concretude do maior fenômeno, a transformação de morte(menstruação) em vida(gestação). Esta faceta das ações e projetos desenvolvidos, absorvem naturalmente a luta contra todas as formas de violência contra as mulheres, com maior atenção as Mulheres Negras, quem está na base da fragilidade social em nosso país e no mundo.

05

Teatro do Oprimido e as vias campesinas lideradas por mulheres

 

Laís Eloa Pellegrinello, Lucinei Xavier Paes, Gustavo Loeff Zardo –

Nuvem Cabocla

nuvemcabocla@gmail.com

A partir da discussão epistemológica dos meios de produção artísticos e das frentes campesinas, desejamos trazer ao debate, apresentar e escutar histórias, agregar reflexões de práticas ativistas, acadêmicas e artísticas, que abranjam as tecnologias sociais propostas pela metodologia do Teatro do Oprimido, encruzilhado com as reflexões e práticas políticas e sociais das lideranças femininas em movimentos campesinos contemporâneos. Cremos que através da análise das experiências, teorias e memórias das vivências do Teatro do Oprimido, no que se refere ao teatro, a cena, a ritualização, a estética, como instrumento para compreensão, construção e compartilhamento de conhecimentos e vivências, podemos cruzar as diferentes realidades, vivências, histórias, saberes e fazeres das lutas campesinas lideradas por mulheres nos séculos XX e XXI. O Teatro do Oprimido assenta em três grandes princípios, que são as suas propostas mais fortes: 1* a ocupação dos meios de produção teatral pelos oprimidos, 2* a quebra da quarta parede que separa o público dos atores e 3* a insuficiência do teatro para a transformação social, isto é, a necessidade de ele se reinventar em um processo de integração num trabalho social e político mais amplo. Assim, a oficinária propõem criar situações em cena que dilatem à uma experiência estética e ética valorizando a pesquisa e as escolhas coletivas do grupo envolvido nos debates. E assim, discutir o fazer artístico/político como exercício de política feminista, de baixo para cima e de ensaio de mundos alternativos e radicais, capazes de nos libertar do hetero-patriarcado, das novas formas de colonialismo, do racismo e do capitalismo contemporâneos. Mais que confrontar os limites da razão dominante, a partir de invenções paridas nas fronteiras e nos vazios deixados, as vivências das lutas campesinas são sabedorias reconstrutoras dos seres que, na invenção do Novo Mundo, foram submetidos à política de subordinação, encarceramento e morte.

 

Eixo 08: Género, língua e poder

Coordenadoras/Avaliadoras: Ezra Chambal Nhampoca e Teresa Manjate

 

Título

Proponentes

Resumo

01

As experiências do feminino em diálogo:  a escrita de mulheres em Moçambique e no Brasil.

Larissa Lisboa – Universidade de São Paulo (USP) – São Paulo, Brasil

lari.lisboa@gmail.com

A Oficinária tem como objetivo apresentar aos participantes um diálogo entre as produções de autoria feminina de Moçambique e do Brasil, a partir de alguns eixos norteadores, tais como: os cerceamentos do feminino, os processos de autonomias das mulheres e as complexas relações raciais e de classe. Os estudos das literaturas dos dois países apontam ainda para uma dupla condição marginal dessas escritas, visto serem mulheres que escrevem e mulheres que escrevem sobre as suas realidades cotidianas. Na construção do cânone literário, as perspectivas hegemônicas masculinistas e ocidentais se perpetuaram como um padrão normativo que compreende a necessidade de excluir tudo aquilo o que seria “diferente”, e as literaturas de autoria feminina estão inseridas nesse processo excludente. Contudo, nos últimos vinte anos, principalmente, houve um significativo interesse, tanto da crítica como dos mercados editoriais, em visibilizar essas narrativas “outras”, ainda que sob uma série de preconceitos e estereótipos, resultantes das perspectivas hegemônicas. Para tanto, algumas pontes de diálogo entre as narrativas moçambicanas e brasileiras serão pensadas, construindo caminhos reflexivos para a desconstrução desses estereótipos, a partir dos textos de Paulina Chiziane, Noémia de Sousa, Deusa D’África, Conceição Evaristo e Geni Guimarães.

02

Nomear Para Combater

 

Nicole Aun – Movimento Atreva-se

nicole@corporastreado.com

O Movimento Atreva-se existe para construir uma narrativa onde o lucro saia do centro das nossas relações e o cuidado ocupe o seu lugar. Entendemos a luta feminista como uma luta anticapitalista, e como uma ferramenta política poderosa e ampla, que nos possibilita criar uma nova narrativa de vida, pautada na liberdade e na potência. Um caminho no qual criamos outras tipos de relações que sejam pautadas no respeito à vida. Um mundo de possibilidades e não de perdas. Um mundo onde o que é comum importa mais do que o individual. Que as diferenças sejam celebradas e não eliminadas. Esse é o Movimento Atreva-se.  O Movimento Atreva-se! desenvolve ações desde 2017 nas escolas públicas de São Paulo (em sua maioria) tendo visitado mais de 30 escolas ao todo e conversado com cerca de 4000 alunos. Em 2019, lançou o podcast do Atreva-se com 34 mulheres entrevistadas, por meio de programa semanal que está no ar desde setembro. O movimento realizou, também, a oficina “O(s) FEMINISMO(s) como filtro subversivo para a vida” em São Paulo (na livraria Tapera Taperá), em Bertioga (CRAS) e em Porto Alegre (UFRGS). Em nossas redes sociais, produzimos textos originais sobre machismo cotidiano e política feminista.
A ideia de desenvolver ações práticas relacionadas a questões de gênero dentro de escolas, utilizando como público-alvo estudantes do Ensino Médio, vem ao encontro da busca por uma maneira mais eficaz de acessar e fomentar questões de grande importância que envolvem a temática de gênero. Queremos discutir questões que envolvem tabus, estereótipos e preconceitos arraigados em nossa sociedade e que são reforçados por produtos dos variados meios de comunicação, tais como: espetacularização e exploração do corpo feminino como objeto; estereótipos de beleza apresentados incisivamente por propagandas e por mídias digitais e televisivas; desigualdade entre os gêneros, entre outros. Através do jogo, o movimento Atreva-se provoca discussões sobre o gênero na escola, levando os grupos à reflexão e a debates a partir de questionamentos que se revelam pelas narrativas dos alunos e das alunas sobre o seu cotidiano. O jogo é um método desafiador e participativo, por meio do qual as pessoas envolvidas se sentem mais à vontade e dispostas a se manifestarem, principalmente as meninas, encontrando nesses momentos um local de escuta às suas demandas e incômodos.

03

Palavras de Mulheres Negras: encontro de falas de si, escrevivência e deslocamentos epistemológicos

 

Ana Cristina da Costa Gomes e Luciana Ribeiro Oliveira – Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNiRIO) e Fórum Estadual de Mulheres Negras do Rio de Janeiro

abebecalebe811@hotmail.com

Ao mesmo tempo que reconhecemos que a linguagem circulante em uma sociedade carrega o peso civilizatório ali desenvolvido, identificamos, por outro lado, o papel da linguagem e da discursividade como marcadores de pertença ideológica, indicador de processos de transformação paradigmática, deslocamentos epistemológicos e interações do corpo (que é constituído por outras vozes) em exercícios de disputa performativa (BUTLER,2019) e voz. As mulheres, sobretudo as mulheres negras, quer na diáspora ou no Continente Africano, têm assumido sua autoridade narrativa (COLLINS, 2019) e, por esse meio, refletido sobre suas vidas, historicidade, subjetividade deslocando-se para fora do contexto patriarcal supremacista branco capitalista (hooks, 2019) uma força destrutiva que fragiliza as identidades individuais e coletivas, a solidariedade e a representação positiva de seus corpos. Ao colocar-se em posição discursiva, seja a palavra trabalhada com a literatura, em práticas pedagógicas, na política ou no ativismo denunciam as opressões interseccionalizadas, ao mesmo tempo que constroem seus feminismos que têm por base critérios epistemológicos outros para pensar gênero, raça, classe e poder. Seus textos, tanto escritos quanto orais, são escrevivências (EVARISTO, 2012), isto é, falas de si. São percursos epistemológicos que levam ao exercício de enxergar-se em sua diversidade, impondo um diálogo intenso e constante, em que a fala própria, não mediatizada por sujeitos externos ao seu lugar, deixa a mulher negra em posição de luta e de emancipação, em existência para o outro (FANON,2008). Nesse sentido, esta oficina propõem realizar o encontro de vozes mulheres (EVARISTO, 2012) cujo participação reflita a discursividade emancipatória da mulher negra seja no desenvolvimento literário ou teórico, legislativo ou judiciário, do corpo ou no estudo da língua e que apresente a escrevivência, a autoridade narrativa apontando este sujeito mulher negra que é social, histórico, ideológico ressignificador das linguagens que o constitui.

04

Gênero, Representação e Educação: metodologias para o ensino das literaturas de escritoras africanas e afro-brasileiras

 

Iris Amâncio – Universidade Federal Fluminense (UFF)

irisamanciouff@hotmail.com

Considerando gênero uma categoria conceitual, analítica e metodológica, propomos refletir acerca das metodologias de ensino que, por estarem ancoradas em perspectivas ativistas antissexistas e antirracistas de impacto social, podem colaborar com a revisão e disrupção dos arraigados conceitos e princípios opressivos que subsidiam as práticas pedagógicas para o ensino das literaturas de Língua Portuguesa, bem como os processos de formação de professoras/es. Estudos e pesquisas comprovam ser urgente a horizontalidade entre mulheres negras africanas e afro-brasileiras na perspectiva da escrita literária. Isso porque o fato de essas autoras serem mulheres negras pode levar ao equivocado entendimento de que sejam iguais as suas cosmovisões e consequentes representações via literatura. Como sujeitas provenientes de distintas culturas, as pesquisas em linguagem literária revelam haver diferenças de pertencimentos, propósitos e discursos entre as suas respectivas produções artísticas. Com isso, emerge a importância de se lançarem olhares diferenciados sobre as representações identitárias de escritoras negras de Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Angola, Guiné-Bissau e Brasil, especialmente quanto ao potencial estético-discursivo das suas literaturas para a desconstrução das representações insistentes sexistas, racistas e classistas, ancoradas em cristalizados fundamentos patriarcais, coloniais e capitalistas que subsidiam os sistemas educacionais. Questões interseccionais relevantes como a importância das literaturas de mulheres negras para a derrocada dos paradigmas eurocentrados, teóricos e práticos, no ensino de literatura e o impacto social do ensino quando a partir de bases epistemológicas negro-africanas ou, em outras palavras, como os saberes locais e os fazeres literários das escritoras negro-africanas e afro-brasileiras podem permear os estudos e pesquisas em literaturas, de forma a provocar inquietações epistemológicas e realizações ficcionais disruptivas e inovadoras para a afirmação de paradigmas emancipatórios são aspectos altamente considerados nesta proposição.

05

Repensando Gênero

 

Tina Hennecken Andrade e Teresa Cunha – Fundação Friedrich Ebert, African Feminist Reflection and Action Group

Tina.Hennecken@fes-mozambique.org

O conceito de gênero é uma ferramenta feminista que chama a atenção que ser-se mulher ou homem não é apenas um assunto ditado pela biologia e pela aparência física. Alerta-nos para a construção social das identidades sexuais e ajuda-nos entender camadas diferentes de opressão e de privilégios. Mas, o conceito de gênero tem sido recentemente questionado de muitas maneiras e, em alguns casos, tem servido a manter relações injustas e de dependência entre nações, classes e grupos sociais. Tem sido atacado por movimentos conservadores que denominam debates sobre gênero como “loucura” e sonham de voltar para os papeis “tradicionais” de homens, mulheres e da família. Tem sido capturado pelo sistema da cooperação ao desenvolvimento, que o transformou em uma palavra chave para acessar fundos, estatuto ou outros privilégios. Tem sido esvaziado pela pretensão universalista e colonialista de uma cultura acadêmica ocidental que não busca compreender as condições históricas e culturais da construção social e que muitas vezes faz as suas próprias experiências e entendimentos a medida e todas as coisas sem ser capaz de refletir sobre transformações das relações de poderes. A oficina gostaria de abrir um espaço para pensar informada e criticamente sobre o conceito de gênero a partir das realidades concretas que vivemos como activistas e acadêmicas e contribuir para a atualização e a recaptura feminista do conceito.

06

Marielle Franco, presente! – Tessituras do discurso de gênero, raça e poder desta insubordinada mulher negra

 

Danila de Jesus – Universidade Federal da Bahia

danjesud@gmail.com

 

A presente proposta busca apresentar uma abordagem interseccional na análise dos discursos proferidos pela vereadora Marielle Franco, na câmara, do Rio de Janeiro no Brasil, durante seu mandato que durou um ano e três meses, interrompido em razão do seu brutal assassinato, ainda sem solução. Amparada com quase cinquenta mil votos vindos de comunidades periféricas do Rio de Janeiro, no exercício do parlamento, a vereadora revela sem ingenuidade as estratégias de disputa pelo poder, também pelo domínio da palavra. A análise revela como Marielle Franco, para além de seu primor político, seu ativismo, entrelaça a intelectualidade, invocando a filosofia Ubuntu e uma emancipação coletiva (Eu sou porque somos!) de minorias sociais, historicamente apartados também, dos espaços de representação política. O estudo mostrará como práxis e discurso, andam de mãos dadas, retroalimentam uma utopia global concreta de perspectivas revolucionárias de baixo para cima, na construção de uma globalização como possibilidade. Seu legado insurgente, é potência política.

07

A contribuição da comunicação e das redes sociais para pensar as categorias de gênero, linguagem e poder

 

Camila Rodrigues Pereira; Evanise Rodrigues Gomes; Vera Sirlei Martins – Universidade Federal de Santa Maria; Universidade Eduardo Mondlane.

rpereiracamila@gmail.com

Considerando que a comunicação ocupa um lugar central nas sociedades e está tanto nas práticas institucionais, como na base das ações dos movimentos sociais (CASTELLS, 2013), entendemos que o processo de construção simbólica se sustenta nas mensagens e estruturas criadas, formadas e difundidas pela comunicação multimídia, assim, qualquer mudança no ambiente comunicacional afeta diretamente as normas de produção de significado, e dessa forma altera também as relações de poder (MARTINS, 2019).
Neste contexto de significados, as mídias sociais e a comunicação se efetivam como um direito pelo uso e produção das informações, e como possibilidade das mulheres encontrarem voz própria e escutar voz das outras; como espaço que oferece condição afetiva de existir, resistir e se reposicionar como sujeito que pertence e que pode nomear suas experienciais (MARTINS, 2019).
Neste sentido, o objetivo desta oficinária é refletir sobre a contribuição da comunicação e das redes sociais para pensar as categorias de gênero, linguagem e poder, atentando para práticas que podem ser acionadas  como recursos para promoção da equidade de gênero. Esta oficinária abrange as áreas da comunicação, comunicação comunitária, estudos das mídias sociais, jornalismo, comunicação organizacional, marketing e educomunicação, e receberá propostas de trabalhos acadêmicos, técnicos, sociais e relatos de experiência.

08

As meninas negras na literatura infantil brasileira: uma revisão interseccional

 

Débora Cristina de Araujo – Universidade Federal do Espírito Santo

deboraaraujo.ufes@gmail.com

Desde o início da literatura infantil brasileira, personagens negras e negros tiveram suas trajetórias marcadas por estereotipia, violência ou subrepresentatividade. Especialmente mulheres e meninas negras foram confinadas, ao longo do século XX, a dois tipos específicos de estereótipo: serviços domésticos ou sexualidade exacerbada, o que realçava as marcas sexistas e patriarcais dessa literatura. E, quanto mais nova em idade fosse da personagem negra, menos ela era retratada nos textos em prosa ou poema, enquanto que o menino negro se fazia presente na figura do marginal ou menino abandonado. Mas na virada do século é possível verificar uma mudança na produção infantil brasileira com um aumento na diversidade de características de meninas e mulheres negras como personagem. É focada especialmente nas infâncias dessas meninas que a presente comunicação tem como objetivo apresentar as tendências que marcam as condições de representatividade de gênero, raça e idade, em perspectiva interseccional. No primeiro grupo estão livros que confinam, ainda, a menina negra na condição de vulnerabilidade social, fragilidade afetiva e pobreza. No segundo grupo, contudo, outra tendência (que se subdivide em categorias) expressa um maior número de obras e que reúnem características antes não comumente presentes na literatura infantil brasileira: relacionam-se à valorização estética (sobretudo cor da pele e cabelos crespos), ao reconhecimento e orgulho de sua ancestralidade africana, à condição de infância vivida em sua plenitude e à negociação da condição feminina como potência, já que são a partir de figuras femininas que as resoluções de conflitos ocorrem. Nesta proposta caberá explorar aspectos do texto verbal e imagético de livros infantis no sentido de evidenciar como a sociedade brasileira, que passa por intensas transformações sociais (sendo algumas conservadoras e outras progressistas), vem revisando, no plano literário infantil, o gênero, a raça e a idade, em diálogo com a cultura africana e afro-brasileira.

09

Experiências femininas em escritas literárias africanas

 

Cristina Maria da Silva; Junia Paula Saraiva Silva – UCFE – PUC-MG

juniamendes-barbosa@hotmail.com

A literatura é um espaço fértil e propício para tratar de questões complexas e dolorosas, sejam eles individuais ou coletivas; escrever é um ato revolucionário, principalmente para mulheres nas mais diversas situações: de guerra, de subjugação, de violência e imposições. O objetivo dessa oficinária é refletir sobre as questões de gênero, língua e poder a partir projetos literários de escritoras africanas. Nosso objetivo é promover um debate transdisciplinar que propicie uma visão colaborativa entre saberes e entre os participantes dos mais diversos segmentos sociais, procurando pontualmente pensarmos sobre: o lugar da mulher na sociedade; as lógicas de dominação presentes nas instâncias sociais que a segregam e oprimem e quais as instâncias de resistência e resiliência que as escritas literárias dessas mulheres apontam. Ressaltamos o vínculo dessas mulheres com sua terra, suas escritas que se situam ou retomam problemas internos de seus países e de suas diásporas; observamos a força da memória e da trajetória familiar na construção de suas biografias e obras literárias e suas narrativas são formas de elaboração de suas existências, mas também um modo de mediar as relações com seus países e vinculações culturais. À vista disso, pensamos em projetos literários como das escritoras Scholastique Mukasonga, que refaz seu percurso biográfico e sua trajetória num mergulho em suas memórias diante do genocídio tutsi em Ruanda, e Chimamanda Ngozi Adichie, escritora nigeriana que interliga sua escrita aos dilemas do seu país de origem, no qual seu pertencimento familiar e sua ligação com o seu país são fundamentais na construção da reescrita da história a partir da literatura. Dessa forma, propormos trabalhos que abordem a potência da escrita literária feminina africana como resgate de memória, de pertencimento e reescrita da história.

10

Os Corpos e as Marcações de Poder entre o Atlântico: Questões de Gênero e Formas De Pensar Sobre Feminilidades e Masculinidades

 

Jakson dos Santos Ribeiro – UEMA/Brasil; Valdenia Menegon – SEDUC/MA/Brasil

noskcajzaionnel@gmail.com

As marcações sobre corpos femininos e masculinos à luz das experiências históricas, são demarcadas por iluminadores culturais que levam em consideração visões heterossexuais, políticas, religiosas ocidentalizadas, que atribuem e definem a funcionalidade desses corpos, bem como também orienta, a forma e os sentidos com que estes corpos devem se portar na sociedade, impondo lugares específicos a partir da anatomia física. Do mesmo modo, as produções acadêmicas por séculos, observaram e compreenderam os corpos de mulheres e homens a partir do domínio do masculino sobre o feminino. Nesse viés, brotaram e frutificam formas de agressões que não denotam apenas uma violência contra os corpos femininos, mas também dos corpos masculinos, já que o patriarcado atinge homens, de modo especial, os negros, que, em suas mais diversas experiências são alvos de violências que germinam a partir do padrão de gênero da branquitude. A proposta busca articular reflexões que apontem formas de pensar as questões de gênero dentro de contextos locais e internacionais, construindo um diálogo sobre as marcações de gênero e os sentidos para entender a construção de feminilidades e masculinidades e suas relações com o poder. Desse modo é relevante apontar como os marcadores sociais de diferença ocidentalizados percebem os corpos do lado de lá e de cá do Atlântico. Assim, a Oficina pretende compartilhar saberes atinentes à organização das mulheres, relações de poder, construção social de masculinidades e feminilidades, gênero, abordagens, representações, trajetórias, redes e diversidades, a partir de diálogos e trocas de experiências tanto no campo dos estudos de gênero quanto em áreas afins no intuito de fortalecer o debate com outras disciplinas.

11

“Tout Est Parti de là”: Construções Identitárias Negras Americanas

 

Luciléa Silva da Cruz – Universidade de Brasília – UnB

luc.ileacruz@gmail.com

Parte-se da seguinte pergunta “Como contar, como recontar essa história dominada por homens?” (KANOR, 2006), este estudo busca pensar mediante ao corpus de produção de obra literária de escritora afrocaribenha a noção de identidade na tradução, no sentido de buscar uma compreensão da noção de tradução como relação. Como a aporte teórico a compreensão das construções identitárias partindo do romance Humus, bem como retomando pergunta no sentido de como traduzir essa narrativa mantendo a questão política; recorre-se Édouard Glissant (2005), Carrascosa (2016), Laplantine (1995) dentre outros. Como hipótese de trabalho, considera-se que, enquanto apresenta essa proposta, reivindica-se o lugar de enunciação de obras literárias de escritoras afrocaribenhas e afroamericanas.
Palavras-chave: Fabienne Kanor: romance. Identidade. Tradução. Lugar de enunciação.

 

Eixo 9:  Utopias feministas concretas

Coordenadoras/Avaliadoras: Catarina Casimiro Trindade e Paula Machava

 

Título

Proponentes

Resumo

01

A igualdade de gênero em conformidade com o princípio da igualdade.

 

Ana Rosa Coelho Silva – Procuradoria da Mulher da Câmara Municipal de São Luís e Centro de Tambores de Mina Ilê Ashé Ogum Sogbô

arosasilva_12@hotmail.com

A desigualdade de gênero é um fato social já enraizado. E embora as teorias feministas buscam combatê-la, ainda é bastante recorrente os casos em que a mulher é colocada em posição de inferioridade em relação ao homem. Em 1979, foi criado pela ONU, uma Convenção sobre a Eliminação de todas as formas de Discriminação contra as Mulheres, com o escopo de ”garantir ao homem e à mulher a igualdade de gozo de todos os direitos econômicos, sociais, culturais, civis e políticos”. Em suma, buscando favorecer a igualdade de direitos. O Brasil, aprovou a Convenção pelo Decreto Legislativo no 93, de 14 de novembro de 1983, sendo assinada pela República Federativa do Brasil, em Nova York, no dia 31 de março de 1981. O princípio da igualdade deve operar na edição de leis visando impedir a criação de tratamentos diferenciados e abusivos, além da obrigatoriedade de interpretar a lei sem distinguir em razão de sexo. Sendo assim, a igualdade é um direito fundamental e a lei deve tratar todos de igual forma, sem distinção. Deve-se aplicar tal princípio também à igualdade de gênero, pois homens e mulheres devem gozar dos mesmos direitos e oportunidades e as políticas públicas e sociais precisam reforçar as medidas para a promoção dessa igualdade.
Ainda são inúmeros os esforços que as mulheres fazem para conseguirem igualdade no acesso à educação, nas oportunidades no trabalho e na carreira profissional, no acesso à saúde, no acesso ao poder e na influência. Nesse aspecto, o princípio da igualdade apresenta-se como mais uma forma de garantia e fundamentação para essa luta que cada vez mais ganha força, buscando a igualdade de gênero e o empoderamento de todas as mulheres e meninas (Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 5, ONU).

02

Pedagogias dos cuidados: para uma hermenêutica feminista das epistemologias do Sul

 

Luísa de Pinho Valle e Teresa Cunha – Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra

luisadepinhovalle@gmail.com

A partir de uma hermenêutica feminista pós-colonial das epistemologias do Sul nosso trabalho tem como objetivo principal analisar coletivamente as pedagogias presentes nas práticas dos cuidados de mulheres e homens do sul não-imperial. A metodologia que propomos parte da premissa feminista que tudo o que é pessoal é político. Articulamos três modos de construção de conhecimento interdisciplinar: 1/ troca de experiências fortemente contextualizadas onde o lugar de enunciação assume aspecto central; 2/ análise a partir das experiências partilhadas e das abordagens feministas pós-coloniais e das epistemologias do Sul; 3/ identificação das aprendizagens significantes que as trocas das experiências suscitam e que estão em condições de contribuir teórica e analiticamente o tema. Entendemos que as diferentes articulações entre métodos e técnicas de criação e passagem de conhecimentos, com ou sem intencionalidade educativa, são pedagogias. Todas as práticas sociais contêm pedagogias. Isto é, procedimentos e metodologias asseguram o fluxo de conhecimentos, sua replicabilidade e condições para inovação.  Consideramos que as práticas dos cuidados interpessoais, com a vida e o meio existente traduzem pedagogias dos cuidados. Cuidados são todas aquelas atividades de cooperação, solidariedade, reciprocidade e complementaridade que as pessoas realizam para consigo e para com outrxs numa contínua preservação e criação da vida, humana ou não. Representam hoje práticas transformadoras transicionais: da alquimia utópica do patriarcado capitalista moderno para a realização de um horizonte de mudança que aponta para a ecodependência ontológica de todos os seres. As pedagogias dos cuidados que propomos são aquelas que sustentam o fortalecimento das práticas sociais contra-hegemônicas, capazes de redimensionar conhecimentos construídos coletivamente através de ações concretas que impulsionam transformações sociais adequadas e desejáveis à vida em todas as suas formas e indivisibilidade.

03

Raça, Gênero, Sexualidade: Abordagens e Horizontes Sul-Sul

 

Fátima Lima e Julia Barboza Gambetta –

Universidade Federal do Rio de Janeiro/UFRJ e FAMATH/Niterói/RJ

fatimalima4@gmail.com

Partindo das multiplicidades e complexidades do que podemos chamar do ‘Evento Racial’, esta oficinária tem como cerne pensar e debater as relações e vicissitudes entre Raça, Gênero e Sexualidade a partir de uma aposta epistemo-metodológica interseccional, tendo no que se convencionou chamar de raça* a espinha dorsal e a chave interpretativa para compreensão de diferentes fenômenos. Temos no racismo e sexismo ou naquilo que Grada Kilomba chama de racismo genderificado uma das principais linhas que costura as inquietações e reflexões que o simpósio se propõe reunir. Nossa aposta Sul-Sul não é apenas geográfica, mas uma escolha política, privilegiando as reflexões produzidas por pensadoras(es) que têm, prioritariamente, produzido seus trabalhos em contextos marcados – de diferentes maneiras – pela força da colonialidade e do Cisheteropatriarcado racista, entre estes destacamos os contextos latino-americanos, brasileiros e africanos. A partir do evento racial – como a complexidade que arrasta as reflexões – aceitamos trabalhos que podem ser reflexões apenas teóricas, filosóficas bem como trabalho que contemplem perspectivas empíricas. Ainda ressaltamos que cabem na nossa oficinária performances, material audiovisual, literatura negra, indígenas, entre outras,  enfim,  lugares de onde podemos pensar e discutir as questões chaves Assim cabem como possibilidades propostas que versem sobre: as diferentes  experiências das mulheres negras, indígenas e racializadas,  as experiências dos homens negros e racializados pela chave, principalmente das masculinidades,  os gêneros e sexualidades dissidentes principalmente as experiências de gays negros ( ênfase nas bichas pretas), das travestis e transexuais negras, racializadas e indígenas, das lésbicas negras e, racializadas e indígenas, não-binárixs em contextos brasileiros, latino-americanos e africanos. Por fim também cabem no nosso simpósio pensar as principais discussões em torno dos Feminismos Negros e Mulherismo(s) tentando perceber as tensões constitutivas entre mulherismo(s) e feminismos negros e, principalmente as discussões contemporâneas acerca da categoria gênero.

04

A construção de um presente feminista: lutas, protestos e resistências das mulheres 

 

Débora de Fina Gonzalez
Millicent Thayer – Universidad de Chile / University of Massachusetts – Ahmerst

deboradefina@gmail.com

Os feminismos são, hoje, uma das forças sociais mais potentes, reivindicativas, criativas e transformadoras a nível global. Protestos e ações feministas têm sido convocados em diferentes países a partir da articulação internacional entre diversas redes, grupos e coletivos de mulheres, apesar de obstáculos como o fundamentalismo, o autoritarismo e o militarismo de direita. As crescentes mobilizações do 8 de Março, Dia Internacional das Mulheres, acompanhadas do chamado contundente a uma greve feminista internacional, têm sido momentos que evidenciam uma grande capacidade de mobilização e articulação dos feminismos. Para além do 8M, têm ganhado espaço e visibilidade muitas outras manifestações de mulheres que adquirem um caráter permanente e transversal de luta social e extrapolam um “calendário feminista” historicamente estabelecido, posicionando as “mulheres que lutam” na linha de frente no combate a preocupantes ameaças contemporâneas à sustentabilidade da vida, dos territórios e das relações sociais. Assim, junto aos novos repertórios e à crescente capacidade de mobilização, os feminismos fazem-se presentes em distintos espaços reivindicativos – seja através ou dentro das fronteiras nacionais, comprometendo-se e articulando-se com outras lutas, demandas e movimentos sociais: afrodescendentes, indígenas, socioambientais, entre outros. Neste sentido, convocamos a construir um espaço onde possamos pensar globalmente o atual momento político feminista em sua força e potencialidade. Como têm-se manifestado e articulado os feminismos em distintos países? Como se estabelecem os trânsitos, diálogos e intercâmbios feministas a nível internacional? Como estas formas de protestos massivas, criativas e potentes podem conduzir-nos a utopias feministas concretas?  Incentivamos propostas que reflitam experiências feministas contemporâneas de distintas realidades nacionais ou transnacionais, focadas em suas diversas formas de manifestações públicas e de protestos ou, ainda, de trabalhos “de formiga” nas lutas cotidianas frente a situações precárias. 

05

Mulheres, infâncias e lutas por direitos

 

Joana Célia dos Passos e Patricia de Moraes Lima – Universidade Federal de Santa Catarina

passos.jc@gmail.com

Partimos nessa oficinária do entendimento que na cultura ocidental a marca da organização societal centra-se no patriarcado e o cuidado das crianças é continuamente delegado às mulheres. A constituição do gênero para as mulheres carrega esse sentido de uma “natureza” que tem por destino um dado de submissão e subordinação a uma cultura heteronormativa que cultua o lugar-de-poder do homem como aquele que precisa ser “preservado” e reiterado por um permanente assujeitamento das mulheres e por sua vez, das crianças. A referência da branquitude ocidental atua sobre essa condição normativa, pois tem como centro a experiência histórica das mulheres brancas como àquelas que reafirmam a produção do patriarcado pelo dado cultural eminentemente constituído pelo modelo eurocêntrico. Ocorre que ao tratarmos da interseccionalidade como “um sistema de opressão interligado” e ao descentramos a branquitude e recolocarmos no centro das nossas referências a negritude a partir de outros territórios, tais como no continente africano e na américa latina podemos nos perguntar: como as mulheres nesse contexto global onde se descortina-se o que é o “centro “, assumem a luta por seus direitos associadas a luta pelos direitos das crianças? Como a cultura negra atua sob suas referências para a desconstrução dos papéis sociais, na produção de gênero e das infâncias na sociedade contemporânea? Nosso objetivo aqui é conhecer experiências culturais, sociais que atuam no descentramento da branquitude e no empoderamento negro e seus reflexos na produção das mulheres e das infâncias contemporâneas.

06

Resistências espirituais das mulheres negras em África e diáspora

 

Cleusa Caldeira e Maricel Mena López –

Faculdade Jesuita de Filosofia e Teologia; Universidad San Tomas

cleucaldeira@gmail.com

O colonialismo europeu com sua moral hetero-patriarcal se apresenta como uma realidade metafísica e imutável, suprimindo, assim, as memórias culturais de grupos étnicos que representam uma outra cosmologia não binária e de respeito a natureza.  Coube ao cristianismo imperial sacralizar essa cosmovisão hegemônica, subjugando e colonizando os imaginários religiosos; tornando-se assim arma colonial de controle religioso e dominação desejada.  Ao longo dos séculos grupos étnicos sofreram e sofrem ameaças de aniquilação cultural; seus costumes, valores e práticas milenares são silenciados ou relegados ao misticismo. Suas formas de produção de saberes sofrem grande desprezo e são lançados no esquecimento pela colonização epistêmica. Entretanto, neste contexto de iminente aniquilação da humanidade e do planeta, emergem novos sujeitos coletivos recuperando as tradições orais, míticas e religiosas como formas de resistência e resiliência frente as múltiplas violências do sistema capitalista. A espiritualidade surge como origem e motor de recriação de novos sujeitos coletivos, que sob a liderança de mulheres faz irromper novos horizontes, práticas coletivas diferenciadas, políticas alternativas, novos saberes compartilhados, enfim, uma outra realidade em constante mutação e aprimoramento. Esta oficinária quer ser o espaço de escuta cordial às múltiplas resistências espirituais das mulheres negras em África e diáspora, como práticas decoloniais que resistem e reinventam-se desde suas próprias tradições herdadas.

07

‘Não seremos interrompidas’: contribuições políticas e transgressoras do Grupo de Estudos sobre FeminismoS NegroS – Marielle-Franco no Maranhão

 

Francilene Cardoso e Maria Lúcia Gato de Jesus – Grupo de Estudos Sobre Feminismos Negros Marielle Franco

negafranci@yahoo.com.br

Aborda algumas das contribuições políticas e transgressoras do Grupo de Estudos sobre Feminismos Negro-Marielle Franco em São Luís/MA com ênfase na sua história de surgimento no ano de 2016 como coletivo de mulheres negras dentro da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).  A proposta do grupo consiste em ampliar o debate sobre o pensamento de intelectuais negras, a exemplo de Lélia Gonzalez, Beatriz Nascimento, Sueli Carneiro cujas obras constituem verdadeiras interpretações do lugar do negro e da mulher negra na diáspora africana e em nosso país.  A despeito da importância, tais autoras ainda encontram pouco espaço na atual estrutura curricular de alguns cursos para serem lidas, estudadas e compreendidas, o que configura o universo epistemicida que combatemos. Na contramão, o Grupo Marielle Franco se coloca como coletivo de reflexão política feminista e de construção de mundos alternativos e radicais contribuindo com a luta para a libertação das mulheres do hetero-patriarcado, neocolonialismo, racismo e capitalismo contemporâneos, com uma metodologia ressignificada, que inclui roteiros turísticos negros, oficinas livres e rodas de produção e diálogo. Destaca a significativa participação de intelectuais negras maranhense como Mundinha Araújo e Tatiana Reis que vem contribuindo para “sabermos mais de nós mesmos” a partir de suas teorias e métodos.  Destaca ainda o legado da vereadora do Rio de janeiro Marielle Franco brutalmente assassinada em 14 de março de 2018. Franco foi uma mulher negra e favelada que desafiou com toda ousadia a violência da militarização e genocídio de negros e negras. (FRANCO, 2018). Pretende-se debater sua contribuição para avançarmos na luta para que mais nenhuma mulher seja interrompida.

08

Mulheres Negras em Movimento: O que acontece com as sociedades quando as mulheres negras se movimentam?

 

Joana Passos Dos Santos e Angie Edell Campos Lazo – Res de Investigaciones Afrolatinoamericanas RIALA

angieedell@gmail.com

 

Mulheres Negras em Movimento: O que acontece com as sociedades quando as mulheres negras se movimentam? A oficinária tem três grandes objetivos de reflexão. Num primeiro momento se procura gerar uma plataforma de visibilidade sobre as ações da mulher negra nas diferentes áreas de atuação da sociedade. Convidamos a mulheres da ciência, medicina, academia, política, economia, no ativismo e diferentes espacios da sociedade. Vamos responder a, O que estão fazendo as mulheres negras? Como segundo objetivo, procuramos ter um espaço de reflexão e debate sobre a caminhada e intervenção da mulher negra nas sociedades. Sabemos que ser uma mulher negra nos coloca numa posição de subordinação e violência nas sociedades, nessa lógica, as ações e intervenções das mulheres negras vão ser estigmatizadas, diminuídas e muitas vezes criminalizadas. Vamos responder a quais são os desafios das mulheres negras na sua caminhada nas nossas sociedades?
Finalmente o nosso terceiro objetivo procura refletir sobre o diálogo e sinergias entre o trabalho das mulheres negras. Os conhecimentos gerados desde as mulheres negras da academia e o seu diálogo com os conhecimentos das mulheres negras das comunidades, dos terreiros, dos quilombos e comunidades que fazem trabalho com as bases. Vamos responder a como estamos dialogando entre mulheres negras na luta antirracista, antimachista e anticlasista? A nossa oficinária procura chamar a mulheres das diferentes áreas de atuação, diferentes idades e nacionalidades para refletir as diferentes percepções sobre o rol de reestruturação da mulher negra nos diferentes espaços de ação social, assim como gerar um diálogo entre as diferentes estratégias de ações geradas pelas mulheres negras de forma individual ou como coletivos. Convidamos a visibilizar e dialogar sobre as mulheres negras em movimento.

09

O Autocuidado na Perspectiva Feminista

 

Tania Lopes Muri e Rogéria Peixinho – Coletiva Feminista do Autocuidado

coletivofeminstaautocuidado@gmail.com

A Coletiva Feminista do Autocuidado do Brasil entende que contribuirá nesse encontro internacional, construindo a utopia de promover a emancipação e transformação da situação de opressão e sofrimento das mulheres, diante da realidade atual desse estágio civilizatório de aterradora desigualdade social e sofrimento para as mulheres, oferecendo uma oficinália e trocando saberes sobre cuidado e autocuidado. O avanço do capital, do ultra neoliberalismo atingem as mulheres de forma letal e fortemente as ativistas de Direitos Humanos, que lutam   pelo bem comum, às vezes sem mensurar os limites de seus recursos internos e físicos, na subjetividade individual, no exercício do coletivo para o enfrentamento do racismo, sexismo e as diversas formas de opressão. A experiência, aqui no Brasil, com o projeto da Casa do Respiro, tem essa proposta no sentido de fortalecer a nós, enquanto fomentadoras dessa utopia, como também, os corpos e mentes das mulheres nesse processo de ressignificação. A oficinária apresentará, através da experiência vivencial de acolhida, a reflexão sobre o papel político do cuidado, reafirmando a premissa de que o pessoal é político, tendo como base as dimensões física, emocional, psicológica, mental e espiritual. Com vistas a garantir o bem-estar individual, a partir da perspectiva feminista, a proposta estrutura consolidar no âmbito organizacional a aposta coletiva, considerando que priorizar, nas organizações, o bem-estar das Defensoras, implica atenção, prevenção e segurança no cuidado e promoção do autocuidado entre ativistas. Trabalharemos o tema, em grupo, de forma dinâmica e lúdica, como estratégia fundamental para as Defensoras de DH, diante da defesa da justiça e da democracia. A experiência da Coletiva Feminista do Autocuidado, mostra que o acolhimento grupal do Cuidado, encandeia, contagia e fortalece as ativistas para suas vidas e lutas feministas, considerando a multiplicidade das mulheres no mundo, fazendo do cuidado a transgressão para a ação feminista.

10

O feminismo é branco?! Diálogos e práticas críticas à branquitude e às colonialidades em África e nas Diásporas

 

Paola Diniz Prandini e Ana Helena Ithamar Passos – Universidade de São Paulo – USP – Brasil

paola@usp.br

No final do século XX, emergiram produções em torno do feminismo interseccional (AKOTIRENE, 2018; CRENSHAW, 2002) e do ativismo LGBTTQIAP+, assim como a ampliação dos estudos sobre feminismos negros nas diásporas africanas, que questionavam a unicidade discursiva do pretenso feminismo universal, levantando uma reflexão: o feminismo é branco?!
Os estudos críticos da branquitude (BENTO e CARONE, 2002; FRANKENBERG, 2004; SOVIK, 2009; STEYN, 2004; VRON WARE, 2004; WESTHUIZEN, 2017) são alocados dentro da produção de conhecimento de e pós-colonial e fornecem ferramentas para ampliar o debate das teorias raciais e para alargar o entendimento sobre os movimentos feministas e as agendas políticas de mulheres no ativismo interseccional. Questionar o lugar da branquitude no feminismo é também dialogar com a pluralidade de fazeres e saberes sobre as sociedades (KILOMBA, 2019).
Com base neste cenário, o propósito desta oficinária é construir uma discussão crítica sobre privilégios e significados em torno da concepção do feminismo branco-centrado, que habitam o continente africano e suas diásporas. Esta oficinária também buscará refletir sobre o que a branquitude tem a ver com o feminismo, entender as diferentes dinâmicas de poder e não poder sobre corpos racializadas em realidades distintas e como o pertencimento étnico-racial emerge como um marcador das vivências em sociedades com marcas coloniais.
Trata-se de discussão ligada à contemporaneidade, visto que os marcadores sociais de diferença, como raça e gênero, fazem parte tanto da discussão teórica sobre feminismo interseccional como do ativismo de movimentos feministas que buscam a equidade racial e de gênero nas sociedades africanas e afrodiaspóricas.

11

Arte e feminismo no sul global

 

Cintia Lima Crescêncio/Gleidiane de Sousa Ferreira – UFMS/UVA

climahist@gmail.com

 

Esta oficinária tem como objetivo reunir e discutir pesquisas que problematizam as relações entre arte e feminismo em países do sul global, tendo como premissa o importante papel que as artes plásticas, a literatura, o cinema, o teatro, a arte como um todo, tem para a militância de mulheres e feministas em países com um passado colonial. Propomos uma reflexão coletiva sobre a arte produzida por mulheres, por feministas, por movimentos de mulheres e feministas, em países do sul global, no intuito de debater os usos e abusos da arte a partir de uma visão feminista de mundo. Muito embora os debates em torno da história da arte e dos cânones que marcam a produção artística nos interessem, pensando que tais abordagens são de grande valia para reflexão sobre os impactos do feminismo na arte, priorizamos uma discussão sobre as invenções, apropriações, profanações e vulgarizações propostas e realizadas pelo feminismo na arte.

12

Mulheres na Resistência Anticolonial

 

Ângela Coutinho – Fundação Amílcar Cabral (Cabo Verde) e Instituto Português de Relações Internacionais (IPRI), na Universidade Nova de Lisboa.

Isabel Casimiro – Centro de Estudos Africanos, Universidade Eduardo Mondlane, Moçambique

isabelmaria.casimiro@gmail.com

A participação das mulheres na resistência anticolonial fascista nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, PALOPs, assumiu várias formas nomeadamente as lutas das mulheres camponesas contra o trabalho forçado, a sua participação nos movimentos nacionalistas, na luta clandestina e como guerrilheiras da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), do Movimento Popular para a Libertação de Angola (MPLA), do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).O mesmo aconteceu com mulheres noutros países africanos, como foi o caso da África do Sul, Namíbia, Zimbabwe e até ao presente com a Frente POLISARIO pela independência do Sahara Ocidental do Reino de Marrocos. A mesma experiência pode ser encontrada em vários outros países do mundo. Pretendemos nesta Oficinária resgatar as vozes das mulheres nacionalistas e guerrilheiras, debatendo sobre a sua participação nestes espaços tradicionalmente masculinos, abordando os seus desafios passados e presentes nos países já independentes.

Palavras chave: Luta Armada, Participação Política, Género, “mundo melhor”.

 

 

Eixo 10: Imaginários sociais, corredores de opressão e emancipação

Coordenadorxs/Avaliadorxs: Joaquim Nhampoca e Vera Gasparetto

 

 

Título

Proponentes

Resumo

01

Mulheres Africanas e Consciência Política: auto-amor e corporalidades

 

Fabiana Lima e Alessandra Pio – Universidade Federal do Sul da Bahia; Colégio Pedro II

fabianalimaufsb@gmail.com

apioufrj@gmail.com

Esta oficinária tem como principal objetivo discutir, experimentar criativamente, através de comunicações, apresentações artísticas, saberes não acadêmicos, questões que envolvem a colonialidade dos corpos de mulheres africanas. Dentro da lógica colonial, a domesticação das mulheres africanas tem significado violências invasivas a um corpo que é visto através de fantasias assombrosas de feiura, sujidade e erotização de mulheres que atendem sexualmente ao outro – masculino branco. Compreendemos este corpo como índice de violência colonial e de emancipação, construídas pelo auto-amor e pela (re)construção política de corporalidades feministas negras. O ato político é exercido pelos nossos corpos no simples fato de existir, exibindo nossos cabelos, nossa cor de pele, nas formas de expressão marginalizada e hiper-sexualizada de nossos corpos, nas violentações dos corpos de mulheres africanas cis e trans. Pretende-se, portanto, no diálogo com o discurso de mulheres como Grada Kilomba, Ida Ngueng Feze, Audre Lorde, Beatriz Nascimento, Lélia Gonzalez, Paulina Chiziane, Marielle Franco, Chimamanda Adichie, bell books, Vilma Reis, entre tantas outras ativistas, artistas e acadêmicas acolher nesta oficinária materialidades dessas aspirações, utopias e propostas políticas emancipatórias construídas em torno de corporalidades de mulheres negro-africanas. Acolheremos artigos, acadêmicos ou não, representações, performances artísticas e falas que evidenciem a potência de nossos corpos em movimento. Objetivamos, com este encontro, construir uma agenda política a partir da historicidade e memórias de mulheres negras em diáspora.

02

DÁ PRETA

 

Adriana Feitosa e Thallysson Melo – Dá Preta afroperspectiva

dapretaafroperspectiva@gmail.com

O DÁ PRETA é um espaço literário e socioeducativo de perspectivas decoloniais; corpo de análise para pesquisas acadêmicas. Usando de múltiplas linguagens (folhetins, quadrinhos, charges, quadros temáticos, intervenções) para metaforizar, refletir e contrapor a lógica de raça e opressão que estrutura o sistema de exploração e privilégios que afeta o imaginário/subjetividade das comunidades afrodiaspóricas em São Luís do Maranhão, Brasil. Descolonizando pensamento a favor de uma educação antirracista. Partimos da premissa que para pensar o espaço, suas práticas e formas de interação social é necessário a compreensão das construções/relações racializadas pela epistemologia dominante e que orientam a construção das identidades. Falamos a partir desse lugar em (re) conexão com África e suas diásporas. Decodificando e criando possibilidades de acesso a produção literária negra desarticulando a colonialidade do saber que se estrutura e se reformula nos espaços de poder como a academia. Em um processo de reorientação ontológica e epistemológica do ser negro, assumindo um compromisso político-afetuoso com o campo da ética da filosofia Ubu-ntu, uma perspectiva capaz de produzir possibilidades do ser-sendo na total (idade); que nos une de forma comunitária, antirracista e pluriversal e que trata os ancestrais como elo de ligação entre vivos, os mortos e os que ainda não nasceram. Nesse sentido, o DÁ PRETA

por ligar-se existencialmente a seus idealizadores enquanto mulher e homem negrxs, posiciona-se ao mesmo tempo por um ativismo político e um movimento de devir-negro.

Por fim, o Dá Preta está sendo construído, não como um sistema fixo e fechado de ideias, mas que evolui continuamente a partir de sua rejeição a todas as mazelas da discriminação existentes nas dinâmicas das relações, criadas e impostas pela cosmovisão ocidental, eurocêntrica. Asè.

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Das margens: mulheres, feminismos e sertões no sul global

 

Cláudia Maia e Ana Maria Veiga – Universidade Estadual de Montes Claros e Universidade Federal da Paraíba

anaveiga.ufpb@gmail.com

A partir de um recorte transtemporal, buscamos reunir trabalhos com abordagens teórico-metodológicas e objetos analíticos que visem a trocas de saberes e experiências em torno do ativismo, da arte e da pesquisa acadêmica nos campos da história das mulheres, dos estudos feministas, queer e das teorias descolonizadoras sobre o que chamamos “sujeitos em situação de margem”, com destaque especial para os diversos relevos sociais dos sertões e periferias de países do sul global. Entendemos como “situação de margem” um (não)lugar que é, ao mesmo tempo, social e geográfico. Privilegiaremos esses territórios, partindo da ampla compreensão do conceito de sertões (como wilderness ou interior), no sentido de distanciamento dos grandes centros (políticos e econômicos) e dos lugares hegemônicos de produção de conhecimento e saberes tomados como oficiais. Serão acolhidas, neste espaço de debates, investigações e relatos de experiências de e sobre mulheres, feminismos subalternos, “raça” /etnia e estudos queer, com foco em sujeitos cuja existência se dá em territórios ou situações consideradas periféricas. Partimos, igualmente, de uma epistemologia feminista periférica que atua nas margens, buscando escapar das linhas centrais de teorias eurocêntricas (de mainstream), embora dialogue com elas ao acionar conceitos transnacionais e interdisciplinares, como os de poder, interseccionalidade e decolonialidade. Serão acolhidos trabalhos, experimentações e pesquisas realizados com materiais audiovisuais, iconográficos e das artes visuais que problematizem as práticas cotidianas femininas, denunciem a opressão de mulheres e visibilizem o ativismo feminista. Um dos desafios aqui colocados é incluir nessas reflexões, sobre relatos de experiências, ativismos e pesquisas acadêmicas, o levantamento de problemas e a articulação de ações positivas para potencializar e valorizar as mulheres e suas lutas.

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“Do lado cá, do lado de lá” – África-Diáspora: Protagonismo de Mulheres Negras para uma Educação Decolonial

 

Joanice Conceição (UNILAB) e Valéria Costa (IFSERTÃO-PE) UNILAB e IFSERTÃO-PE

valeriaodecosta@gmail.com

 

A presente proposta de oficinária tem a pretensão de reunir trabalhos que dialoguem com as categorias interseccionais de gênero, raça e educação, a partir do protagonismo de mulheres negras. Com a intenção de acionar valores civilizatórios africanos na construção do processo emancipatório de suas comunidades, ao tempo em que traz à tona a invisibilidade das questões relativas à população negra nos currículos escolares, que hoje possibilitam estabelecer o diálogo atlântico entre África e Diáspora (BAIRROS, 1995; CONCEIÇÃO, 2017; COSTA, 2009; GONZALEZ, 1988; GOMES, 2012; SANTOS, 2002). Além disso, a proposição almeja principiar o contato com mulheres africanas e afro-diaspóricas que atuam nas esferas socioeducacionais, políticas e culturais, utilizando-se de seus saberes tradicionais: práticas religiosas, medicina tradicional, relações com o trabalho, artes, organizações familiares, agência política, etc. como um dos mecanismos metodológicos para pensar uma Educação Decolonial, que se opõe ao modelo vigente eurocêntrico, uma vez que os saberes tradicionais, foram acionados, em determinados momentos, para a construção de autonomia não só das mulheres, como também de suas comunidades. Neste sentido a proposição recupera a conexão entre a África de língua portuguesa e os lugares da dispersão atlântica, considerando as experiências ancestrais na organização dos espaços sociais, políticos, culturais, nas mais diversas áreas das Ciências Humanas, como a História, a Antropologia, a Sociologia, a Geografia, a Educação. Em última instância, a oficinária propõe-se a aglutinar pesquisas acadêmicas, relatos de experiências, intervenções socioculturais e políticas, arte-educação, dentre outras ações, cujo foco de análise esteja nas agências de resistência dos sujeitos sociais excluídos da sociedade. Portanto, almejamos congregar não só pesquisa científicas e/ou extensionista, mas, sobretudo, partilhar experiências de trabalhos comunitários e de ações públicas, como escolas, órgãos administrativos, setores de saúde; e privadas, a exemplo de organizações não governamentais. Produziremos, por fim, documento sobre ações a serem aplicadas nos países das participantes.

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Corpo em diálogo

 

Juliana Keiko Kawachi e Cintia Regina Alves Pereira – Coletivo GRÃO de Arte e Cidadania

julianakeiko.mt@gmail.com

A oficinária tem como objetivo propor um espaço lúdico de atividades que fomentem uma percepção do corpo em diálogo com diferentes manifestações artísticas. Dá-se pela exploração subjetiva por meio de práticas teatrais e musicais, tendo como ideia propulsora a experiência do indivíduo dentro do coletivo. Corpo em Diálogo é uma oficina que surge a partir das experiências de Cintia Alves e Juliana Keiko, que há mais de 7 anos com o Coletivo GRÃO – Arte e Cidadania pesquisam a “estética da diversidade”, que consiste em proporcionar espaços de diálogos artísticos entre pessoas com diferentes identidades sensoriais e sociais. Neste trajeto encontraram pessoas Surdas, cegas, ouvintes, videntes, com paralisia cerebral, LGBTQIA+, mães solos, mulheres negras, imigrantes e cada um que chegava trazia uma nova perspectiva se juntavam a equipe. De modo que atualmente o GRÃO com integrantes com identidades sensoriais e sociais diversas. A oficina é destinada ao público em geral com lotação máxima de 30 pessoas e duração de 3 horas a 4 horas. Ressaltamos a importância da contratação de intérpretes de Língua de Sinais Moçambicana, garantindo o acesso às mulheres surdas a um evento tão importante e de tamanha projeção mundial.

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Nosso Olhar

 

Milena Andrade da Rocha e Leticia de Sousa Lima – Coletivo LabCine

mandapramilena@gmail.com

Milena Rocha e Leticia Sousa são jovens jornalistas e realizadoras audiovisuais que atuam no nordeste brasileiro com cinema coletivo inspiradas em práticas pós-industriais. Com oficinas e filmes rodados no Cerrado, Amazônia e Semiárido, áreas em que o audiovisual é utilizado como ferramenta de impacto social a partir das histórias ali contadas e de quem conta essas histórias. A proposta é fazer uma oficina a partir das vivências de mulheres presentes na oficina decidir o que filmar, como filmar, que temática dentro desse eixo retratar. E depois de decidido o tema conversar com mulheres de diversos espaços de luta, etnias e nações presentes no encontro. Os vídeos produzidos serão apresentados em exibição antes do final do encontro. Além de exercitar o “nosso olhar” gerar aprendizados sobre o nosso fazer audiovisual hoje possível graças aos baixos orçamentos e estéticas coletivas.
Pré-produção – captação, tratamento de imagens, organização do material a ser utilizado dentro do celular; Direção / Produção – plano sequência, iluminação, acessórios para melhorar o resultado;
Edição – ferramentas para edição de fotos e vídeos –
Pós-produção – divulgação do filme produzido através das redes sociais, festivais e campanhas publicitárias;
na práticas – todas as participantes serão estimuladas a realizarem em grupos filme curtas de até 5 minutos. Ao final da oficina será realizada uma mostra aberta ao público, onde poderão ver sua produção em uma projeção.

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Mulheres Negras Sem Lugar – a transição reflexiva ao racismo para a busca de novas possibilidades

 

Lia Córdoba Garrido; Michele Lopes da S. Alves – Universidad de La Salle, Medellín – Colômbia; Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais – FAE/UFMG, Belo Horizonte – Brasil

lia.cordoba@gmail.com

O medo do não-lugar, de estar SemLugar, de ser ignorado, dado pelas experiências de segregação advinda das discriminações raciais sofridas, tem sua conotação na ordem do simbólico, entendido como representações sociais, a partir das quais os sujeitos nomeiam, pensam e narram o mundo. Essas representações constroem uma rede de significados que instituem e justificam uma ordem social historicamente dada pelo poder hegemônico, presentes em várias profissões, como a de ser professora. Nesse sentido, o não-lugar na ordem do simbólico se consolida como uma rede de representações sociais instaladas no sujeito por experiências consecutivas de segregação racial. Experiências que roubam das sujeitas professoras a esperança e o desejo de sonhar, enquanto reduzem as possibilidades de ser profissional. O medo de querer não é um medo instintivo. É o de não acreditar na capacidade laborial, tolhidos e empurrados muitas professoras ao SemLugar. Isso é colocado como um ato consciente do sujeito historicizado, que é reconstruído no presente via múltiplas relações significativas estabelecidas na própria experiência de cada ser, com outras narrativas e subjetividades coletivas. O medo de ficar SemLugar é um estado de consciência que habilita criativamente as sujeitas a assumirem no presente o legado histórico em relação ao futuro desejado. Em dar conta de sua própria experiência de problemas e sintomas antigos. O SemLugar constitui ausência da consciência daquilo que se deseja apagar do que é. E o latente medo deste SemLugar constitui a necessidade de respostas ao vazio, para deixar a ignorância de uma realidade presente que augura certos futuros na dinâmica local e global. Esse SemLugar é um estado de transição reflexiva a buscar possibilidades e alternativas de transformação para encontrar novos lugares. Diante disso, o convite dessa Oficinária destina-se a todas professoras negras a construírem narrativas do SemLugar profissional que foi ponte para outras possibilidades de lugares de docência.

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Prevenção e combate as Uniões prematuras: entre o social e o jurídico

 

Joaquim Nhampoca – Universidade Eduardo Mondlane, Departamento de Sociologia

 

Os casamentos prematuros ou uniões prematuras (forçadas), a par das gravidezes precoces constituem, na actualidade, a questão de voga em Moçambique e além-fronteira. Trata-se de uma preocupação não apenas resultante das suas consequências práticas, como também, da flagrante violação dos direitos da Criança consagrados nos instrumentos legais nacionais, regionais e internacionais. Em Moçambique, várias acções têm sido levadas a cabo para a prevenção e combate aos casamentos prematuros, com alguns ciclos da sociedade moçambicana a pontar os ritos de iniciação numa relação causa-efeito face aos casamentos prematuros. Resultados do Inquérito Demográfico e de Saúde 2011 referem que o país possui uma taxa de 48% de mulheres de 20-24 anos que se casaram antes dos 18 anos. No contexto global o país ocupa o 9° lugar na lista de países com maiores índices de casamentos prematuros, o que de algum modo levou a revisão da Lei 10/2004, de 25 de Agosto (Lei da Família), com a revogação do nº2 do artigo 30 que excepcionalmente abria espaço para o casamento aos 16 anos. Esforços legislativos culminaram, ainda, com a aprovação da Lei 19/2019, de 22 de Outubro (Lei da Prevenção e Combate as Uniões prematuras). No entanto, com esta lei emergem novos desafios associados à capacidade institucional de resposta às acções de mitigação previstas na lei. Outrossim, é a preocupação de pais e/ou encarregados de educação em relação ao procedimento a tomar quando uma menor de 18 anos contraí uma gravidez visto que a prática quotidiana das famílias é de responsabilizar a pessoa que terá engravidado, o que per si é penalizado pela actual lei das Uniões prematuras. Adicionalmente, é a aparente contradição entre as práticas socioculturais e a lei penal. Motivo para questionar se estaríamos num conflito entre a tradição e a modernidade? Ou diferentes contextos (rural e urbano)?

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Mulheres e Filosofia

 

Georgina Rabassó, Ira Vovos – Universidade de Barcelona UB, Universidade Eduardo Mondlane UEM

iravovos@gmail.com

georginarabasso@gmail.com

As mulheres sempre se dedicaram a reflexão filosófica e o seu pensamento por mais que estivesse oculto durante vários séculos sempre existiu desde que a filosofia nasceu no século VI a.n.e. na Europa, China e Índia —com base ao que foi estabelecido pela historiografia ocidental. Na descrição histórica conhece-se cada vez mais as dívidas da filosofia grega antiga com a filosofia e religião egípcia, o mesmo acontece com a cultura africana, sendo esta uma questão que precisa de muita mais indagação ou atenção, sobre os paradigmas históricos e filosóficos. Sobre as mulheres filósofas deste período sabemos muito pouco. Porém, apesar da falta de informação sobre o pensamento feminino, conhecemos a existência de Hipatia de Alexandria, quem além de filósofa, foi professora e astrónoma, sendo uma das filósofas mais destacadas da Antiguidade. Os saberes destas mulheres muitas vezes excederam os limites da filosofia, porque o principal interesse que elas tinham não era somente filosofar, senão compreender e transformar a realidade. Através dos seus escritos transmitem-nos o desejo de conhecer, sendo está uma das características essenciais do seu próprio pensar que nunca foi arrebatado, apesar de que a própria actividade reflexiva ou contemplativa muitas vezes era impedido ou limitado ao acesso das instituições do saber. Conhecemos filósofas medievais como Hildegarda de Bingen, no Renascimento Christine de Pizan, da época moderna, como as Salonnieres, e a partir do século XX ainda são mais as vozes femininas que emergiram para tratar sobre filosofia política: Simone Weil, Hannah Arendt, Maria Zambrano, Angela Davis, Judith Butler, Patricia McFadden. Um dos desafios da actualidade é de poder dar a conhecer cada vez mais e melhor a excelência do pensamento feminino no percurso filosófico e sobretudo ressurgir as vozes de filósofas africanas e afrodescendentes para multiplicar o seu impacto no debate filosófico internacional.

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Chamada de Mulher: rodas de re-existência

 

Janja Araujo (UFBA), Elizia Ferreira (UNILAB), Larissa Ferreira (IFB)

janja.araujo@uol.com.br

Os conhecimentos diaspóricos africanos evidenciam os esforços pelo restabelecimento de cosmogonias em realidades adversas a si mesmas. Indicam ainda o valor da liberdade como condição fulcral à sustentação destas matrizes interpretativas de si e do mundo. Estamos falando de acervos que passam a ser convertidos em ancestralidade para orientar a permanência num território de pertencimento, que não foi desfeito, ainda que marcado pelos horrores da escravização. Este dinamismo tradicional se refaz em novas temporalidades nos orientando a refletir, permanentemente, o lugar de onde vimos bem como os lugares onde tentam nos impedir chegar. Na capoeira o que denominamos de Chamada indica, antes de tudo, a crença num recomeço, numa outra forma de jogar. Tratar-se de uma teorização do jogo que reivindica, para valorizar o próprio do jogo, a retomada de princípios e valores considerados fundamentais para que o rito de comunicação ali iniciado tenha continuidade, de preferência fazendo refletir procedimentos e estratégias que garantam sua melhoria e, principalmente, sua continuidade. Mais ainda, dizemos que este novo jogo está sendo reivindicado. A oficinária Chamada de Mulher: rodas de re-existência propõe debater a presença feminina em espaços tradicionais e suas formas de reescrita de si mesmas bem como suas estratégias coletivas de resistência aos marcadores de desigualdade que ali operam, concreta e simbolicamente. É também o desafio de reposicionamentos das cosmovisões africanas e afro-diaspóricas nos processos de descolonização das nossas corporeidades frente aos retrocessos pretendidos na expansão de novos sistemas de controle, de caráter sobretudos os de caráter moral e religioso que põe em risco estas pertenças como escritas de si, coletivamente. Aqui, portanto, buscamos reunir trabalhos, pesquisadoras, ativistas e artista que fazem da sua atuação, artivismo.

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Ciberfeminismos, Relações de Gênero e Educação

 

Luzi Borges (UESC/DCIE); Paulo de Tássio Borges da Silva (UFSB); Tatiana Rosa – Universidade Estadual de Santa Cruz, Universidade Federal do Sul da Bahia, Prefeitura Municipal da Serra

 

lmborges@uesc.com.br

A proposta da oficinária é oferecer espaço de produção e compartilhamento de pesquisas que discutam gênero e raça/etnia, visando à construção de redes de narrativas por e sobre mulheres negras e indígenas que utilizam as redes sociais digitais como espaços de reflexão crítica sobre as interseccionalidades que estão imersas, bem como refletir tais impactos nas desconstruções de masculinidades coloniais. O ciberfeminismo é recente, cresce junto com a geração digital e com o advento das mídias digitais. É um movimento cujo protagonismo é de mulheres, que usam as interfaces das mídias digitais para falarem sobre seus cabelos, gostos musicais, danças, roupas, religiosidades e do racismo que sofrem diariamente. O ativismo digital das feministas afroindígenas também conecta mulheres em movimento de várias gerações (BARROS, 2017). Acolhimentos diversos e múltiplos colaboram para que elas refaçam sua estética, rearfimando sua ancestralidade e se posicionem contra o patriarcado a partir das referências africanas e indígenas preservadas, cultuadas e ressignificadas nos aquilobamentos contemporâneos produzidos a partir de educação identitária e antirracista. Embora urgente, a bandeira do autocuidado não é nova.  O autocuidado revela-se como ato de resistência, frente aos ataques e as perdas dos direitos sociais que a população brasileira vem enfrentando, sobretudo, as mulheres, mulheres negras, indígenas, ribeirinhas e LGBTQIA+. Por isso, pensar o digital em rede como interface de participação social, cultural, política e de empoderamento tem sido o desafio das ciberativistas. Neste sentido, a oficina pretende reunir pesquisadores/as que pensem formas coletivas de autocuidado e afeto interseccionadas com as questões de gênero, sexualidades, feminilidades e masculinidades negras e indígenas potencializadas pelo digital em rede. Espera-se propiciar espaço para a reflexão sobre a importância e o reconhecimento dessa estratégia de resistência (o autocuidado), que está sendo construída na contramão de discursos hegemônicos, pautados na mídia conservadora.

Palavras-chave: Feminilidades; Masculinidades; Afroindígenas; Autocuidado; Redes Sociais Digitais.

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Trajetórias de mulheres negras, na educação, saúde e política institucional em Cartas em Mãe África

Yara Neusa Ngomane UFRGS,

Marilu Lima Oliveira ALESC, Pamela Íris Mello da Silva UFRGS

Em contextos globais e globalizantes, com marcada trajetória de exclusões, racismo, desigualdades sociais, étnicas e de gênero, aqui sublinhado a dos espaços decisórios de poder, e que empregados de forma ampla, entendemos que incluir signifique estar presente, não somente representada. Assim, é sobre trajetórias de mulheres negras voltadas à área educacional, da saúde (em serviços públicos de atenção à HIV/SIDA) e da política institucional, que intencionamos dialogar e refletir nessa oficinária. Acreditamos que com este diálogo integrado de interáreas (educação, saúde e política institucional), ampliaremos reflexões quanto às presenças de mulheres negras e protagonismos femininos afrodiaspóricos. Consequentemente compondo um corredor de saberes que cuida e resiste, por sua vez construindo alternativas para as mulheres e para o mundo. Logo, buscamos especialmente estudos, pesquisas, depoimentos e relatos de experiências desde educadoras, professoras (in) formais, profissionais e gestoras da saúde, também de candidatas, eleitas ou não à cargos mandatários e eletivos. A fim de reunirmos nessa sessão multitemática, as vozes, contribuições, pioneirismos e lideranças negras de diversos países. Considerando suas diversas lutas antirracistas, as iniciativas mobilizatórias de levantes contra as desigualdades, discriminações e opressões em suas localidades, comunidades, grupos, coletivos e movimentos associativos. Enquanto esforços individuais e organizativos, catalisadores de mudanças e de emancipação.

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